segunda-feira, 26 de julho de 2010

Poetizemo-nos

Por vezes, pensar é mais complicado que escrever. Escrevo certas horas sem pensar. Se penso, escrevo anedotas. Se escrevo anedotas me perco. Se me perco, não me encontro, portanto. Se não me encontro, perco o que penso dentro de mim. Daí, não sai nem mesmo um texto, ou sequer uma frase. Assim, é difícil dizer algo... Pensar qualquer coisa nova se torna martírio, não raro. Sofrível se torna o hoje quando pensamos demais! O papel sofre com rabiscos dissonantes que insistem em ter alguma harmonia...

Se como todos eu passasse a pensar: ''amanha é outro dia'', quem sabe amanhã eu pudesse escrever algo? Pensar demais é cansar-se parado! Cansar-se de pensar em demasia... Como dói e quão grande é a ânsia pelo descanso nesses momentos. Demasia, qualquer excesso, é a morte para o conservador. Quando algo é demais, qualquer um desconfia, assim como o santo quanto a esmola do dito popular... Entende? Refletir é, quando estamos descansados: pensar saudável - mas descansar mesmo é não pensar? Nem refletir? Sim, mesmo que soe estranho. Ah, descansar.. Apenas isso! Não quero mais saber de perguntas, nem de respostas. Quero o silêncio da ausência de sons e de pensamentos!

A paz é algo que se faz. Seja para o mundo, seja em si próprio. É um castelo de tijolos soltos construído por nós mesmos. É frouxa! Entende? É algo que se conquista, mas pode-se perder a qualquer momento. É, decerto, conquista apenas daqueles que fazem atrás dela sua busca incessante. Seguem as pistas! Pelo caminho elas estão espalhadas, basta para atenção, força de vontade. Simples, por vezes, como agachar e pegar! Horas de descuido. Alegria há nelas. Sem perceber, pronto! Eis um tanto de paz que nos cerca. O sorriso aparece. A alegria permeia. Ah, surge então quase que uma reverência à vida quando atingimos momento assim! Insistindo, buscando, estando atentos: quando menos esperamos, a paz se nos arrebata como um primeiro raio de sol do dia e alegra tudo como num descuidado calor afável de início de manhã primaveril.

Sempre que possível: pense menos! Mas escreva! Escreva mais. Escrevendo mais, chegamos perto de nos conhecer a fundo. Mas também, leia o quanto lhe for possível! Leia mais sobre si e leia mais dos outros! Nem todos gostam ou sabem escrever, claro. Mas isso também ocorre sobre o pensar! Nem todos gostam ou sabem pensar! Todavia, quando se escreve, aprende-se a pensar como que de arremetida. Entende? Sabendo pensar, escrever torna-se privilégio e, não raro, fácil... Agradar a todos que sempre será difícil. Agradar a si mesmo também! No mais, entenda: não sofra por pensar nem sofra para escrever. Conheça-ti a ti mesmo, porém deixe rastros de si às páginas...


Só o tempo dirá o que há ou o que nos falta. Temos de suficiente? Coletamos durante a vida um excesso de bagagem, decerto. Iremos nos desfazer dela em breve! Esse dia pode ser daqui há vários anos - e os anos podem ser de passagem como de escassos dias de tão rápidos! Não entendes? Explico! Ou melhor: não sei explicar! Calo! A vida é um martírio de uma repetição de atos, de coisas, de situações, de pensamentos. É um eterno remendar-se dos pedaços soltos que somos e coletamos ao longo dos dias. Não é? Basta lermos nossas vidas e interpretarmos o que dela vamos coletando. Não há manual, nem mesmo uma bula para usarmos dessa ou daquela forma nossa existência. Repita o que te agrada! Faça-se feliz e faça feliz aos outros. Não se importe com a rima tentando tornar sua vida um poema moldado... Aja naturalmente, na medida do possível! 

Assim como para os poemas, a rima é um controle, mas descontrolado, quiçá... Imposição? Sim. Desenfreada, não raro. Máquina dominadora da mente que quer poetizar as coisas nos versos. A rotina da vida quer todos nós rimando. Iguais, enquadrados em padrões. Caso consigas rimar, não rime teus versos com os dos outros que são, digamos assim: cotidianos! Não se espelhe em quem quer manter para seus dias nada mais que rotinas. Não aja como eles! Cada qual constrói seu poema em sua própria vida com palavras e rimas próprias, quais sejam . Necessárias que são. Pertinentes? Talvez. Cada um rima com o que quer! Seja uma rima com coisas novas, belas, amorosas... Tente entender algo disso. Eu mesmo, não raro, me complico em minhas conclusões.

Seja o que te satisfaz, mas preocupe-se com os outros! Sempre. Não há rima ímpar! Logo, para rimar, sempre precisamos de outra pessoa! É lícito, muito necessário e raro nos dias de hoje rimar nossos passos, nossos discursos, nosso amor, nossa fé...! Preocupe-se em ver quem se preocupa contigo, claro! Eis aí um conselho interessante! Se te impõem algo, imponha-se-lhes como humano que és, sabedor de suas coisas e dono de suas conclusões. Mas seja humilde e aceite errar! Por inúmeras vezes o erro será tua rima! Mais aparenta ser feliz aquele que pensa pouco? Pode ser que sim! Porém, pensando, pouco se preocupa e pouco reflete, concluindo poucas coisas nessa medida. É fato! Se pouco se preocupa, menos ainda uma mente põe-se a pensar, a refletir e, claro, a concluir! O mundo está cheio de conclusões erradas. Por isso, é imperioso pensarmos mais, refletirmos mais para concluirmos mais coisas. Coisas novas! Mas, assim como no início do texto alertei: pense com calma, devagar. Pensar demais por vezes dói! Não raro, pensando tanto, você sofre um choque de realidade brutal. Acalme-se. Segue pensando quando estiver refeito desse momento.


Seremos felizes se aprendermos a pensar melhor, a refletir sobre as coisas sem sofrer e, disso tudo, aprenderemos a colocar versos (com mais ou menos rimas - nas linhas e nas vidas) no nosso dia a dia! Aprenderemos a viver de forma mais amorosa, romântica, poética. De forma responsável, aos poucos, sem transformar a arte de viver, o poema da vida, numa peça que sofrerá por desgastes desnecessários - mentais, morais, espirituais etc. Entende?Isso nos basta por ora: aprender a pensar, aprender a viver! Escrevendo versos a cada dia da jornada, rumo ao poema que será escrito ao final, no derradeiro instante antes de nossa partida. Poema que nos será dado através do retrospecto de toda uma vida que se pôde ser feliz! Mas, para o poema ser belo, trabalhemos para o futuro nossas últimas lembranças desde o hoje! Poetizemo-nos com um presente, dia após dia, mais belo, afetuoso e bom!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Que ótimo! Agradeço por ter lido. Que bom que tenha gostado! Fico honrado.
      Grande abraço. Perdão pela demora em responder, mas é que não havia observado as notificações de comentários nos textos.
      Abraços.

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