Certas vezes, paro e penso sobre o que tenho feito de mim. Percebo o quanto de tempo tenho jogado fora, na triste e irrelevante preocupação com o amanhã. Nesses momentos de preocupação (de fato: “pré-ocupado”), ocupo-me com pensamentos medrosos e perco a atenção ao presente devido às inúmeras inseguranças que permito em mim se perpetrarem. Erro nesses momentos! Aprendemos a temer aquilo que não conhecemos ainda por um excesso de inseguranças infundadas. Em que isso nos ajuda ou ajudará? Em que isso nos impulsiona ou impulsionará? Em nada, caro amigo. Percebo que o tempo que perco preocupando-me é justamente o tempo de paz que me falta no dia-a-dia.
Triste, sigo assim há anos. Quando não me preocupo com os problemas do dia de hoje e paro minha vida para eles, paro para as preocupações com o dia de amanhã. Sei que em nada me adianta agir assim, mas, assim ajo com toda a freqüência que infelizmente me acaba e consome o tão mal aproveitado tempo de minha existência.
Nos momentos de dor, de angústia, voltamo-nos para nós mesmos. Fazemos reflexões acerca do que de fato estamos errando em nossos momentos diários. A religião se nos retorna às mentes e coração. Fazemo-nos agir com mais calma respirando mais fundo em meio a suspiros tensos e tementes. Porém, passada a angústia, retornamos ao “auto-controle descontrolado” de nossos atos. Perdemo-nos novamente em meio a tantas preocupações desenfreadas. A ansiedade se nos apresenta como a carimbar nossos atos seguidamente errados. Brindamos com ela aos nossos mais temerosos conflitos internos. Agimos de forma equivocada e, errando, perpetuamo-nos numa vida de tristezas criadas e angústias cultivadas e enraizadas em nós. Triste pensar que não mais somos felizes e que assim o somos por causa de nós mesmos.
Precisamos viver mais profundamente e com maior intensidade o hoje. Precisamos dedicar devida atenção aos nossos afazeres diários, mas não aos do futuro. Nossos atos do presente cultivarão solo fértil para as atitudes vindouras necessárias ao amanhã. Por isso, findemos com as ações repetidas de pensar e tornar nosso íntimo inundado em temores e ansiedade. Pensemos nisso. Ajamos assim, enquanto ainda nos resta o presente para vivermos nele. Para o amanhã, deixemos apenas as atitudes do hoje e os pensamentos e sentimentos que nele criarmos, perpetuando em nós mesmos o melhor que conseguirmos agora. Nada para o amanhã além, talvez, dos sonhos que sonhamos. Nada além disso! Pensemos no hoje e só. Vivamos nele, pois ele nos basta e nisso sei que tenho razão.
Precisamos aprender mais com as crianças. Elas vivem intensamente o presente. Conseguem extrair das coisas a ingenuidade devida. Vivem o hoje, se entregam a ele - mesmo tendo um futuro muito mais longo que o nosso para lhes preocupar. Saibamos viver o hoje. Que consigamos voltar a ser como éramos enquanto crianças. Assim, viveremos felizes o agora e, com isso, o futuro ao lado delas.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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