Alegria, alegria, permita-me tocá-la.
Permita-me a embriaguez com tua sublime beleza,
Perdendo o zelo por mim, dedicando-me a ti nessa surpresa...
Surpresa dos abraços amistosos ou da inefável paz de um sorriso.
Permita-me possuí-la em mim por um dia.
Permita-me em ti perder-me de meu juízo...
Faça em mim da escuridão a luz - como o fez nosso Deus.
Brilha em meus olhos, permita-me resplandecer
Numa enebriante luminescência nos - por ora tristes - passos meus.
Sorrisos, afagos , beijos, abraços...
Traga todos aqui e deixe-os em meu abrigo.
Quero-os bem perto, quero-os comigo.
Preciso, oh Deus, da paz que já vivi.
Morto não fiz-me até agora - nem hei de o fazer,
Pois da morte, se extrai a vida, assim como da vida o morrer.
Num eterno ciclo entre vidas e mortes,
Acordamos novos em cada manhã.
No alvorecer de cada dia, um novo eu e um outro amanhã.
Deixe-se voar, alegria.
Deixe-me também voar para ti.
Quero na paz de tuas asas, viver o que há de vir...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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