Despi-me de meu corpo
E juntei-me à eternidade.
Antes preso, hoje solto.
Morto, sinto-me como nunca.
Eu e o universo em mim envolto.

O dia passa como que por encanto
As horas não mais interessam.
Não há aqui mágoas ou pranto.
Quero esquecer se haverá o regresso.
Hoje, curto a eternidade, enfim.
Atingi, na morte, a paz do recomeço em mim.
Oh, paz, que aqui encontrei,
Estou livre, conforme prometido.
Aqui cheguei e ficar é o que sonhei.
Adeus mundo e sua falsa paz.
Adeus ontem que pertencia-me.
Sou feliz e isso é o que me apraz
Oh, Deus, a hora da despedida passou.
Deixei por lá as coisas da matéria.
A liberdade foi o que me sobrou.
Sentimentos infelizes, esquecidos enfim.
Hoje, feliz, sorrio comigo sem motivos,
Como em cócegas na alma por ver-me livre assim.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier