Oh, chuva que em minh'alma cai,
Leve de mim esse martírio.
Permita-me erguer esse corpo que cai...
Jogado ao chão, pela dor que me dói.
Apague esse fogo que me corrói,
Esse mal que me destrói.
Faça-me ser feliz como em outrora,
Onde eu não sabia ser melhor,
Num passado distante,
Do eu que sou agora,
Mas era feliz, em pueris sonhos de sucesso.
Em tais tempos pregressos,
Onde progressos eram realidades.
Hoje, em sendo triste,
Percebo-me em futilidades,
De uma vida corriqueira,
Onde nada se tem das antigas verdades,
Das quais sofri por galgar,
Chorei ao tentar,
Sonhei conseguir,
Mas enfim, percebi não dar.

Não dá, Senhor. Não dá.
Pensei que o dia de hoje seria de sonhos,
Onde a chuva que me consome não ocorreria.
Hoje vejo que em prantos me calo,
Em choro me deito,
Em lágrimas espreito o dia que nasce,
E ao relento, no esquecimento,
Acorda o eu que dormiu sedento
Pelo dia de paz sonhado,
Na despedida do ontem, passado,
Onde tudo era motivo de alegria,
E nada trazia a vontade cega do esquecimento
Que hoje em mim se alumia,
A ofuscar-me novas vontades,
Novos sonhos
Ou a busca pela verdade.
Mas hei de ter novamente,
Os sonhos que se me calaram.
No amanhã,
Longínquo que seja,
Ou no hoje,
Presente que dura:
Far-me-ei feliz novamente
Como fui na doce candura
Da infância vivida na terra feliz
Onde os dias eram eternos
E as tristezas breves, sutis,
Como o orvalho, a gota mais pura,
Que cai ao chão tremendo a poeira,
Esta que lhe transforma em pequena parcela de barro,
Aquela simples e bela gota de orvalho...
De vida efêmera, mas verdadeira.
Antes límpida, faceira,
Ao chão, torna-se amostra de simples barro.
Não me deixe ser barro, Senhor,
Mas sim gota de orvalho.
Que eu pule da folha mais alta.
Quero voar em sonhos altos, Senhor.
Que eu caia da mais elevada altitude,
Mas que meu fim seja no mar da felicidade,
Pois hei de tê-la.
Este é meu sonho.
Este é meu pensamento.
Sim, Senhor, eu aguento...
Conte comigo, Senhor.
Eu aguento...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Nenhum comentário:
Postar um comentário