quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sem rumo



Quero a morte que dá-se aos grandes, mesmo não sendo um deles, mesmo não querendo morrer. Quero algo de heroísmo, apenas, sentindo-me importante, quem sabe. Quero o aplauso da morte condecorada, pois, estar vivo, porém vendo-me morto sem percebê-lo, de nada adianta ao ego que, queiramos ou não, nos consome. Não quero essa paz do túmulo descoberto, desse abrigo incerto do corpo que definha em suposta paz, porém faz-se exposto aos vícios, aos desatinos... Assim somos todos: mortos em túmulos descobertos! 

Habitamos numa paz relativa, numa efêmera e parcial realidade de um contato humano distante. Somos falsamente um corpo coletivo! Somos um emaranhado de pessoas que co-habitam, mas não somos uma sociedade, ou um povo... Quando superaremos os muros sobre nós mesmos impostos por própria vontade?

Quero a coroa de papel dada aos que sonham ser rei, mas não merecem tal título. Quero ter poderes e voz! Quero condecorar-me, nem que por mim mesmo tenha de fazê-lo, por minhas próprias mãos já tão sujas de poeira, por desuso tal qual o móvel deixado de lado no abrigo silencioso e monótono do lar esquecido...

Quero sentir-me importante dentro de mim, pois de ser nada já me causa tanto que nem meço mais tamanhos de sofrimentos ou angústias. Quero enfim (e apenas isso!) adentrar, entregue e livre, na silenciosa inexatidão da vida, ou quem sabe, reformulando, quereria antes de tudo a inexatidão do silêncio na vida. 

Quero poder falar sozinho sem ocultar-me. Quero que pelo menos eu me ouça! Quero o silêncio do resto! Quero obrigar-me à liberdade dada à voz que sai-me do fundo, de dentro da alma, do fogo que consome a calma e da calma que morre ao relento no mundo inquieto de meus sentimentos por ora rotos, a transbordar...

Quero fazer-me algo! Quero fazer algo de mim! Quero tornar-me a confecção que ainda não sei ao certo, mas a desejo em me vendo reformulado num dia futuro. Quero acertar pelo menos uma vez no rumo seguido... Quero seguir o rumo certo por ora perdido!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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