Primeiro andar, depois correr! É mais ou menos a lógica da coisa em si. Não se pode atropelar etapas! Tudo é um longo e arrastado progresso, como uma longa evolução quase sem fim e sem fins, quer sejam metafísicos ou reais. Sim! Por vezes a vida parece-nos um imenso vazio, descabida...
Seria perda de tempo? Sim, concordo! Tudo por vezes assim parece. Mais fácil seria uma progressão rápida. Hoje crianças, amanhã adultos bem sucedidos e, quase que de pronto, a senilidade em breve, logo ali. Após tudo isso, chega o despertar do momento da despedida! O final! Esse é o ciclo aparentemente interminável para aquele que vive, mas tão aparentemente curto ao pensarmos em quem já se foi.
O reencontro com o nada que havia antes do começo! A morte, sim! Mas não. Não é assim! A vida é longa, por vezes chegando a ser chato, como se estivéssemos a ver passar o tempo. Como um prédio, a vida é feita em andares. Não há elevadores nesse prédio. Não se atinge a cobertura, o ápice, sem antes adentrar ao térreo e subir, degrau por degrau, as escadarias aparentemente infindas. Ora mais rápido, ora mais devagar, mas sempre subindo degraus! Subindo!
Por vezes, paramos, respiramos... Olhamos para a janela e, é fato, ora ou outra temos vontade de pular dela, retornando ao início, o chão, o que seria não um recomeço, mas sim o vislumbre desesperado de um almejado fim! Porém, apesar desses devaneios ao pé da janela e de outra nova escadaria, somos convidados sempre a seguir em frente abandonando essa viagem momentânea de sofrimento ao encalço da janela. Fechemos a janela! Sigamos novamente...
Como sempre, ora rápido, ora devagar, mas sempre seguindo. Andar, sempre andar! Passado o térreo, aí vamos nós rumo às escadarias; com sorte, atingiremos felizes a cobertura, quiça de forma, aos nossos olhos, rápida! Mas andar, sempre andar, obedecendo e respeitando a velocidade devida e necessária para cada sequência de novos degraus. Claro! Primeiro andar, depois correr! É a lógica da vida e das coisas, sempre, pois a vida é como um prédio a ser desbravado, andar por andar, almejando sempre subir, seguir e, claro, chegar a um fim almejado dotado de uma bela vista, encorajadora paisagem aos que lá permitem-se chegar...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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