quarta-feira, 16 de abril de 2014

A flor que doura na janela


A flor que doura ao brilho do sol na janela é um cântico à beleza na Terra.
Mal sabe ela o quanto eu a admiro daqui, mesmo tristonho, longínquo, sentado na poltrona carcomida a contemplá-la.
Carcomido, penso agora, estou eu, quiçá! Talvez também, em a vendo, esteja o sol diante do brilho da flor que lhe obscurece a tamanha, habitual e resplandecente, beleza iluminada, peculiar.

Ah, o sol, a flor, a janela e eu... Quanto mais disso há?
De mim? Sei que há muitos que se me assemelham...
Da janela? Sei que há tantas outras que atravessam paredes alheias e comuns...
Do sol? Não sei, mas que haja outros eu suspeito que sim!
Porém, aquela flor, sublime flor? Não há outra!

Aquela flor que doura naquela janela (janela essa como tantas outras!) junto ao brilho daquele sol (sol aquele como outros que há!), diante de mim (cá estou eu dentre tantos iguais a mim que existem): 
a ela nada se lhe assemelha! E, na memória, trarei sempre comigo aquela singular pequena flor que doura em meio aos raios de sol na janela...

( carta à filha que não tenho) 

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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