Quero comprar um pedaço de chão no céu onde eu possa criar um rebanho de sonhos... Sonhos perambulando pelo pasto de minha mente, inacabado, etéreo, infinito... O outro lado da vida, eu e meus sonhos. Eu seria um fazendeiro, ou um cuidador, sabe-se lá, feliz a cuidar de meu rebanho livre, sereno, em paz... Sonhos intensos e vívidos, todos. Um belo rebanho, ah... Colocando fim às expectativas frustradas em terra, quero enfim no céu poder criar meus sonhos sozinho, livres pelo pasto comigo. Queria que fosse simples assim...
Vivos, somos apenas criadores de rebanhos perdidos no espaço impregnado pelo material, pelo mundano... Perde-se o etéreo, o sentido de infinitude. Vê? Não temos controle sobre eles. Mesmo sendo nossos, não sabemos onde estão, para onde vão e que fim haverá para eles. Perdemos um a um! Roubam-nos os sonhos! Torna-se ao longo da vida escasso nosso rebanho que na juventude era tão amplo e trazia-nos gozo e tantas esperanças, expectativas... Na terra, precisaríamos de cercas para impedir que alcançassem eles, ou os roubassem, ou os matassem, mas não é possível. É inevitável ir os perdendo, os perdendo até que terminemos a vida como um cuidador de rebanhos solitário, sem rebanho e sem pasto...
O pasto dos sonhos é amplo e todos conseguem alcançar nosso rebanho ao longo da vida. A matéria nos consome. Queremos ter mais que todos em nossa volta, inclusive roubar (se for o caso) o sonhos dos outros. Precisamos cuidar dele, nosso rebanho, em silêncio. Não podemos fazer alarde de nossos sonhos, porém, quando temos mesmo um rebanho enorme, em sonhos demais para o pasto do mundo, todos notam a presença dele e alguns se incomodam. É aí que nos roubam, os matam, nos extirpam o quanto podem.
Quero então um pedaço de chão no céu. Assim criarei em paz meu rebanho. Quero que, naquele pasto, ele seja livre e pastem por terras infinitas onde ninguém os retire de mim. Quero ser um cuidador de rebanhos a cuidar do rebanho de meus sonhos, todos livres pelo pasto infinito e sem cercas. Mas é demais pedir isso? Quisera eu pelo menos ter alguma terra do outro lado, ou atingir o outro lado... Por ora apenas recordo do antigo rebanho que tinha e me vejo só, sem pasto, sem nada.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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