domingo, 5 de outubro de 2014

Acocorado


Na ilha do desespero, quem sai de lá primeiro é o homem que viu-se na cruz. Matando e morrendo, refugiando-se do mundo, o homem sofrido sente as dores da morte que se-lhe faz jus. O homem sozinho sente. O homem sozinho, cala. 

O homem sozinho, demente, constrói em si fortaleza rara. Ninguém penetra a fundo. Qualquer sentimento antigo é findo. Morre então cerca de dúzias de vezes, por amores e desgostos ressentidos, calados ao vento nas dores que vai sentindo, num eterno indo e vindo que a natureza do ser lhe cobra. 

Tão vil é o tempo que se desdobra, tornando eterna cada hora do dia. E o homem sozinho transborda em si as dores que cala no peito transgredido onde o coração batia...

Correm as horas do dia eterno. Corre o eterno nas horas que passam. Passa a incorrer na escuridão, nas cores que vê o cego, correndo como cego, pois vê enxergando com a alma e com o coração...

Alma vazia, peito aberto... Peito arredio, sentimento incerto. Alma voraz que destrói o homem quieto, acocorado no canto como embrião, como feto...

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Nenhum comentário:

Postar um comentário