terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Depressão


Depressão é um marco negativo na vida de qualquer ser humano! Nada mais é que a doença mais incapacitante que há. Por qual motivo digo isso? Simples! Um indivíduo saudável, com bem estar aparente e um entorno benéfico, progressista, não consegue desenvolver nada em sua vida, mesmo que saudável em corpo esteja... Devido a essa doença, essa mácula da alma ou meramente do organismo (aos que creem em algo além da matéria): aquele indivíduo nunca mais será o mesmo! Haverá um antes, um durante e um depois - ou, na pior das hipóteses, apenas um antes e um durante.

Doença metafísica? Algo que não cabe explicar, é fato! Somos egoístas demais para entender a realidade mental, social, orgânica e os tantos aspectos da vida comum de um ser depressivo. Com grande chance de acertar: é ele um ser solitário, mente por vezes mais, por vezes menos brilhante, mas sempre com muito potencial de fazer coisas - afinal, enquanto depressivo, faz pouco, tão pouco... Perde-se tanto. É uma situação para ele irreversível! Somam-se decepções consigo mesmo, com as coisas da realidade... Mas, de tudo, o que mais consome a somar-se em dores é a decepção com as pessoas ao redor. O ser humano é vil, egoísta, cruel em tantos aspectos e cego para a dor do outro. Mais sabe de julgamentos que de auxílio, é fato! Por isso disse que não cabe explicar: ninguém entenderia, ninguém entende - até um dia passar por tal situação ou testemunhar alguém que ame muito passar por tudo isso.

O depressivo não consegue ver as promissoras propostas do entorno, as possíveis conquistas a serem alcançadas. Não consegue traçar caminhos. Falha! Consome-se em culpas. Despe-se, ou melhor, abdica do orgulho próprio, da auto-estima, da fé e, pior de tudo, da esperança. Morre em espírito, por vezes! Passa a viver como um corpo sem vida! Perde a vontade de fazer qualquer coisa que seja! Perda não apenas a razão: perde a si mesmo! E o que é pior: sabe, ou aprende a saber, que não adianta buscar alguém para ajudá-lo, ou entendê-lo; afinal, ele está sozinho! Todos estamos, na verdade, mas na depressão essa solidão é mais corrosiva e clara. As pessoas têm muito mais a julgar que a contribuir, é fato. Já disse! Daí, um depressivo que desabafa com alguém acaba tendo sua reputação denegrida por vozes maledicentes ou tolas, simplesmente. Decerto, aos olhos egoístas alheios, o depressivo é nada mais que um fraco, um mesquinho, um ingrato à vida ou um tolo simplesmente. Um depressivo, se não era antes de sua doença, passa desde então a ser completamente só  - ou por escolha ou por dificuldade de buscar pessoas encontrando nelas um sonhado alento! Afasta-se de tudo, de todos, perde a fé nas coisas e a esperança no futuro. Perde...perde...perde!

Em meio a isso, pode ser que desista! Pode ser que falhe e cometa a atrocidade maior do ser: desistir da vida! Sim, isso ocorre! Se houvesse sido ele em vida uma pessoa de bem, muitas lágrimas hipócritas surgiriam ao redor do corpo morto, afinal, tantos que poderiam ter saído de seu conforto pessoal, usual e tentado ajudar aquele ser que ali sofria não assim fizeram. A maior parte terá, mesmo que velada, uma culpa somada ao luto ou uma constatação da ineficiência pessoal no processo de ajudar aquele ser que sofria demasiadamente. Claro, a culpa passará escondida dentro de todos, afinal não haverá pessoa a assumir que poderia ter ajudado e não o fez. Isso seria, no mínimo, desconfortável! Todos dirão que fizeram de tudo quanto podiam, mas ''ele não aceitava ajuda'' ou coisas assim, redundantes, como resposta. O famoso jargão: ''eu fiz a minha parte" acompanhado ou não de uma infinidade de interjeições aplicáveis. Sim! É parte dos discursos hipócritas humanos. 

Somos uma raça vil. Somos cruéis com os aspectos psicológicos das pessoas ou, no mínimo, desleixados, desdenhosos. Nem mesmo os profissionais responsáveis por abordar o lado metafísico, os aspectos psicológicos do ser humano, se comportam de forma diferente ou positiva, progressista. Pouco contribuem! São meramente profissionais do ramo, nada mais! Não humanos condoídos pela dor do outro. Poucos são altruístas querendo de fato tornar aquele ser ali à sua frente vitorioso ou, digamos assim, curado. Querem apenas sentir que fizeram sua parte, alguma coisa mais ou menos competente ou eficaz que tenha sido. De fato, no final das contas, aquele que não melhora será tido como um paciente difícil, não meramente como um ser que não foi devidamente ajudado. 

A culpa há de cair sempre na cabeça do depressivo. Caso o enredo não seja assim, ele o transformará como um todo em uma auto-condenação, pois não há depressivo otimista. Depressivos se auto-mutilam com conceitos auto-depreciativos! Veem-se inferiores e inferiorizam-se diante da vida, dos fatos. Apequenam-se! Pequenos assim, o máximo que conseguem é esperar o dia da ascensão pessoal, com um pouco de sorte que tenham, ou a derrocada final - por exemplo, pulando da maior altura que puderem em busca da morte. O mais, para um depressivo, é nada!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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