Passei uma vida inteira calado, por mim esquecido...
Calei minha boca enquanto gritava a minha alma.
O grito que ecoava-me de dentro não foi ouvido...
Ouço-o agora, mas não há remédio que me traga calma.
Quem diria que seria eu um alguém assim?
Antes, tão sorridente ao olhar de todos, eu agradava.
Hoje, de tanto calar-me, ensimesmado, em mim
Soa o tom de desesperança que eu já suspeitava.
As pessoas não nos querem bem, decerto!
Querem apenas que não as incomode nossa tristeza!
É triste e grosseiro afirmar isso como certo,
Mas foi o que concluí em noites acordado, sob luz acesa.
Queremos a harmonia dos padrões de beleza no mundo!
Aquilo que é triste, destoa dessa mentalidade vigente.
Não há espaço a quem tenha-se por embotado, profundo...
Quem em si mesmo mergulha, faz-se ao mundo demente.
E assim, tido por louco, excêntrico, distante: sigo!
Quisera eu um dia sentir na vida ares de bem estar...
Sim, raras são as pessoas que nos queiram, de fato, consigo,
Mas saibamos todos nós, embotados: abrir portas, recomeçar.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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