Abro a porta. Adentro ao recinto. A sala de entrada... Dou-me de frente a um enorme espelho. De cá, eu, no mundo físico; de lá, eu, no mundo de reflexos. Eis que eu não sabia quem havia entrado primeiro ou se éramos, eu e eu, iguais em tudo. Gostaria muito de ser o eu por detrás do espelho, afinal ele possui a chance de inexistir, desaparecer. Eu existo o tempo todo de minha vida. Isso até hoje teve bastante peso e causa-me angústia... Quem de nós dois haveria de estar feliz naquele momento então? Seria eu, matéria, ou o outro eu, reflexo? O eu, matéria, pensava sem saber mais por onde estive com a cabeça a pegar-me em tamanha tolice, mas prossegui. Eu estava, como sempre, sozinho naquela casa, diante daquele espelho. Solidão nos faz pensar além de certos limites habitualmente existentes. Sem o crivo da razão e dos olhares alheios: pus-me a continuar refletindo...
Olhei-me no reflexo no espelho e sonhei não ser eu um alguém que se dá ao desfrute do reflexo. Imaginei-me por um instante imaterial, inexistente, não palpável, quiçá. Sonhei por um outro instante não estar vivo. Decerto, não estaria ali enquanto matéria. Não seria, desde que morto, refletido em qualquer espelho que fosse. Entretanto, se fosse-me dada a chance de morrer agora, estaria eu, desse instante em diante, refletido apenas enquanto memória nas mentes de quem quisesse carregar minha imagem, minha lembrança. Sei bem que seriam poucas e, claro, esse estrago não seria dado às tantas. Mas, ainda além nesses devaneios, refleti-me para dentro de minha alma e de minhas tristezas. Tudo ali encontrado eram reflexos: eu, matéria, contra eu no espelho, reflexo; eu, antes jovem e sonhador, contra eu hoje, nem tão jovem e pessimista... Muitos eram os devaneios. Tudo ali, entretanto, deu-se a partir do instante em que eu havia percebido a mim mesmo em outro espaço, após adentrar aquele local, vendo-me além de mim, naquele espelho....
Olhei-me novamente. Concluí ser aquele reflexo um eu melhor. Eu não tinha como saber aprofundadamente, mas um eu novo havia ali; um alguém melhor do que o eu matéria humana que me era conhecido. Ser aquele eu vago, inexistente, reflexo, valeria muito a mim. Quem dera eu pudesse sê-lo e, dessa forma, ser nada, inexistir. Refinei ainda mais minhas conclusões relembrando um dizer de Saramago em minha terra, Belo Horizonte, quando disse algo semelhante a: "assim como um livro que não tenha sido publicado não existe, existindo apenas enquanto possibilidade", trago para mim seu discurso: eu gostaria apenas de ser outro, outra coisa (mesmo que remota)... Sendo isso uma possibilidade, estaria eu mais satisfeito! Que eu fosse irreal, talvez. A mim, não incomodaria. Ah, no mais: quem dera não haver existido. Quem dera...
Olhei-me novamente. Concluí ser aquele reflexo um eu melhor. Eu não tinha como saber aprofundadamente, mas um eu novo havia ali; um alguém melhor do que o eu matéria humana que me era conhecido. Ser aquele eu vago, inexistente, reflexo, valeria muito a mim. Quem dera eu pudesse sê-lo e, dessa forma, ser nada, inexistir. Refinei ainda mais minhas conclusões relembrando um dizer de Saramago em minha terra, Belo Horizonte, quando disse algo semelhante a: "assim como um livro que não tenha sido publicado não existe, existindo apenas enquanto possibilidade", trago para mim seu discurso: eu gostaria apenas de ser outro, outra coisa (mesmo que remota)... Sendo isso uma possibilidade, estaria eu mais satisfeito! Que eu fosse irreal, talvez. A mim, não incomodaria. Ah, no mais: quem dera não haver existido. Quem dera...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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