quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Desculpem, mas resolvi escrever alguma coisa!

Olá! Sim, uma saudação curta de início, mas será um texto longo. Alguns lerão todo o texto. Outros nem mesmo o título. Nem mesmo eu sei se o lerei para além do momento de estar escrevendo, mas, afinal, escrever e manifestar-se ainda é um ato livre. Gosto de escrever. Gosto de refletir e compartilhar com as pessoas. As conversar ao redor de mesas de bar têm ficado de lado nos nossos tempos. Faltam-nos momentos de convício social puro, humano e amplo. Acaba que a solução é todos nos manifestarmos por detrás de um perfil na internet que nos torne "fake" de nós mesmos enquanto seres humanos desviados da vida real, mas inseridos por completo no mundo virtual...

Estamos em um momento de refazimento social, econômico, moral e político. Sim! Os últimos anos e mais ainda os recentes meses têm tornado nosso povo muito dividido. Questões políticas, decerto, nunca foram o ápice de nosso cabedal de assuntos discutidos. Porém, algo está ocorrendo. Estamos nos interessando por assuntos de política, economia, causas sociais, quer seja criticando tudo, como aprendemos pela mídia vulta, comum, resumida pelos tele-jornais, ou tentando aprender mais, refletindo sozinhos e com aqueles que damos créditos de amizade e confiança simples. O que resta para que comecemos um país melhor? Muito. Entendo que faltam-nos muitos aspectos.

A atual crise (não meramente a econômica, obviamente) tem exposto a intimidade de muitos de nós, cidadãos dotados hoje de poderes de influenciar, ditar ideais e impôr ou propagar opiniões (nossas ou alheias) através da internet. Todos somos locutores de uma causa qualquer - causas essas que coadunam com o que pensemos, sentimos e entendemos por verdade. Cabe, obviamente, muito espaço na internet ao nosso egoísmo e narcisismo. Propagamos, claro, aquilo que se nos identifica como parte de nós e nossa mentalidade. Nesse cenário de ampla exposição de erros e acertos, assuntos mais e menos relevantes, discussões de o que é pertinente e o que não é, todos nós estamos apenas engatinhando. Somos bebês na era da liberdade pura e ampla de expressão criada pela pluralidade da internet e, mais ainda, com o advento das redes sociais.

Acompanho sempre política. Como histórico pessoal, pude participar de movimentos estudantis por quase cinco anos. Pude tomar frente, optar por seguir essa ou aquela ideia; aprofundar estudos e leituras desse ou daquele pensador. Há liberdade para isso hoje - ainda. Fui conhecendo gente de todas as "esferas de pensamento". Com todos aprendi muito. Porém, como somos fadados a ter emoções em relação às coisas, passamos a nos identificar mais com algumas coisas e menos com outras. Não seria diferente em relação a pensamentos quanto a política e quanto a ideologias quaisquer. 

Sim, somos movidos por paixões. Elas nos fazem gostar mais de ler certas revistas que outras, ou assistir determinadas coisas a despeito de outras. Somos assim. Mas todos, independente do que pensamos e cremos: somos humanos, seres sociais, e fadados por isso a conviver com opiniões e gostos distintos dos nossos. Isso, pasmo, percebo ser um problema hoje. Não há espaço para diálogo, nem para debates. Há espaços apenas para verborragias tantas acerca de "o que eu gosto é isso!" ou "o que eu gosto é aquilo!, pronto! Não há mais o: "que bacana o que você pensa, mas discordo". Menos ainda espaço para o velho (quase chavão): "posso não concordar com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o direito de as dizer". A intolerância nos consome e, aparentemente, nos move atualmente de forma assustadora, Isso já ocorreu em vários locais, em tempos vários, em tantos regimes, tantos espaços desse mundo enorme e inclusive em nosso próprio país. 

Estamos sendo levados à polarização. Hoje, vivemos um país que tem um partido chamado PT no ápice do poder nacional. Ganhou a última nefasta eleição. Nefasta, pois fizemos um péssimo papel enquanto eleitores e nossos prováveis eleitos fizeram péssimo papel enquanto candidatos. Todos eles! Paralelo à manutenção do poder desse partido junto à presidência após o segundo turno do processo democrático, veio com isso uma avalanche de ódio. Sim, levantaram as roupas das nossas esferas de poder e viram, pasmos, que existe corrupção quase incontrolável até hoje. Ótimo isso estar sendo exposto? Claro! Quem erra tem de ser punido. Quem erra, corrompe ou faz-se corrompível deve ter seu lugar diante da lei para cumprir sua devida pena. Mais ainda, em termos de roubos (corrupção é meramente um nome refinado para roubo), todo o conteúdo roubado tem de ser devolvido, mais ainda quando o foco do roubo são os cofres públicos. Isso é fato! Porém, há o atual governo. 

Há, decerto, uma permanente crise ética em nossas terras - pois corrupção existe desde 1500 aqui, embora somente de poucos anos para cá tenha sido investigada e punida. Há a necessidade de aguardarmos que o melhor ocorra. Mas somos levados a crer que apenas uns são algozes e que há idoneidade em alguns (quem dera) daqueles que por ora são opositores. Sentimentos existem, embora assustadores, que nos motivam a participar de um processo de imbecilização que tem feito crescer discursos como para o retorno de regimes ditatoriais e punitivos, bem como nutrir discursos (e ações) de ódio e castigo para com uns e outros. Temos que refletir!

Punir a nação seria o fim e um ato de atrocidade caso mantenhamos discursos de ódio e pró-autoritarismo tais como temos mantido. Nesse processo, caso você não tenha sido contrário à reeleição diante do malfadado segundo turno que nós, democraticamente, determinamos por não confiar no candidato da oposição ou que seriam (candidato e oposição) uma solução: você é chamado "petralha" e tido por corrupto ou, no mínimo, idiota. Caso você tenha votado na oposição ao ainda atual governo, situação, você é convencido de ser parte de um grupo seleto de pessoas idôneas, nacionalistas, talvez até mesmo superiores que tomam o futuro do país nas mãos e sabem o que deve ser feito. Não, não sabemos. Nosso segundo turno nos expôs uma mácula social: não sabemos pensar para além do óbvio. Somos partidários sem saber. "Não!", dirão alguns, mas percebam: quem temos levado ao segundo turno? Sempre os mesmos dois partidos. Ambos são idôneos? Não! Escândalos há em cada um deles. Mas somos levados a crer que apenas essas duas vertentes existem. Um dos dois domina a capacidade de levar o país adiante de forma melhor. Não! Basta. Precisamos ser melhores...

A oposição, vendo que perdeu de novo após investir tão pesado -igual ou mais que a situação - na vitória nas urnas, hoje quer domar a democracia nas mãos. Caso não seja possível domar, que seja possível tomar. Parece ser o discurso. Não percebemos a atrocidade nisso? Vemos poderes paralelos expostos diante de nós. Câmara e Senado são, como diria Cazuza, "piscina cheia de ratos". Mas esquecemos deles. Acreditamos que país bom é aquele em que o presidente é o querido do povo. Em anda isso nos ajudará. Basta de fascismo, idolatrias ou "falsos-profetas". Política é coisa séria. Chega ao poder maior do país quem mais recebe apoio de partidos de base, da mídia e mais ainda: de interesses particulares. 

Estamos vendo quase tornar-se lei o financiamento privado de campanhas. Temos batido panelas contra isso? Não! Temos visto nosso Estado Laico caindo por terra por bancadas dessa ou daquela religião. Temos batido panelas contra isso? Não! Temos sido levados a crer que existe apenas a crise de: é necessário cortar a cabeça do "rei"! Não, mil vezes não. "Há algo de podre no reino da Dinamarca", parafraseando, mas não é apenas o fato de com quem está a "coroa". Não! Somos todos a "Dinamarca" e a podridão é ampla, difusa, nas mãos de tantos e inclusive de nós mesmos - acostumados com aquilo que definimos por "jeitinho brasileiro". Precisamos de medidas "sanitárias" que lavem de nós mesmos essa podridão. Não bastará apenas um "Lava-Jato" para isso. É preciso mais. 

É preciso auto-controle no agir, muito cuidado com o que se diz e atenção com o que se pensa - mais ainda com o que nos induzem agir, dizer e pensar. Somos seres facilmente induzíveis e nos deixamos levar por nossas paixões! É preciso menos ódio e maior tolerância. O Brasil é sim um país de todos! Isso não é só um lema de governo de esquerda, direita, centro ou quiçá outra vertente que haja. Já disseram que "a democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas" - vide Churchill. Em meio a isso, devemos prezar pelo respeito, pela abertura ao diálogo e cuidado, sempre muito cuidado com os ódios que temos perpetuado. Se há ódio nas redes sociais, mundo virtual, há, obviamente, na vida real. Não existe o mundo virtual sem o mundo real. Nós fazemos o mundo da internet - e ele tem me assustado, confesso, pelo que ando vendo!

É preciso abrir espaço para diálogo, não apenas exigir que ele exista. É preciso criar o ideal (e nos dedicarmos avidamente a isso) de um futuro melhor, de um país melhor que exista sem corrupção - tanto na situação quanto na oposição. Difícil? Muito! Mas que estejamos atentos - começando por nós mesmos e nossos pequenos atos de corrupção, não? Basta de criarmos ideais futuros meramente pautados na esperança de, amanhã, temos maior riqueza pessoal ou emprego melhor. Dinheiro corrompe o corrupto, mas também nossos ideais. Estejamos atentos. Busquemos um país melhor para nossas crianças e não deixemos hoje os raciocínios de ódio propagarem. Quanto mais forte o ódio, mais distantes de um bom caminho estaremos. Cuidado é pouco. 

Não rotule pessoas como se houvesse apenas dois grupos: os certos, opositores, contra os errados, situação. Não! Somos todos situação, pois somos o povo, somos (ainda, pelo menos!) uma democracia. O partido que manda no país não é situação. É ele apenas o "partido eleito". Pronto! Nem mesmo a oposição, caso ganhe sua intentona, será a situação. A situação tem de ser o povo, sempre! O povo tem que tomar por seu o discurso de ética, de caça aos corruptos, de caça aos que usurpam nosso país. Não podemos, enquanto povo, ser joguete, simples expectadores dos posicionamentos daqueles que nos induzem isso ou aquilo pelos tele-jornais. Termos de lavar o Brasil, passar a limpo. A melhor "Lava-Jato" é e será nossa capacidade de escolher o voto! 

Que deixemos brilhando o chão que pisamos nesse país. Faremos isso sendo íntegros e batendo panelas para todos os erros, todos os que estão errados. Cobrando investigação de tudo quanto não esteja certo - independente de serem os erros provindo da situação ou oposição! Sejamos a situação! Caso contrário: a serão por nós, democraticamente ou tomando-a!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Quero colo


Quero colo - afinal, ainda sou criança!
Não quero que saibam disso, entretanto.
Sigo impondo-me a todos com confiança,
Mas ouço o meu discurso e ele não traz encanto.

Sou fraco, pouco consciente. Sei disso tudo...
Nunca fui daqueles que pega livros de política.
Quero apenas aproveitar que hoje não sou mudo...
Participando, na rua, em redes sociais, de jornada mítica.

Sim, mitologias nós todos fazemos. Cada um as suas...
O mito atual é o do país progressista como na bandeira.
Defendo a mudança, mas qual proposta apresento nas ruas?
O que queremos, afinal? Somos um povo sem eira, nem beira...

Espero poder contar aos meu netos, chegado o dia,
Que todos nós fizemos algo de bom no atual momento.
Mas não vejo marchas, argumentos ou motes de alguma valia.
Sinceramente, para todos os discursos, digo: não aguento.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier