O rio morreu, Pai...
Estava ali, olha, mas não..!
Não está mais, Pai.
Foi embora - e todos vão?
Veio barro de todo lado...
A água cristalina morreu, Pai.
Agora é rezar, né? Sonho adiado...
Quem vai olhar por nós, Pai?
Ai, que dor me dá, Pai,
Saber que ninguém vê nós...
Nós, todos, tantos, esquecidos. Ai...
Que Deus vele por nós. Estamos sós!
O dinheiro lavou nossos sonhos, Pai!
O barro lavou nossas casas, vidas...
Quem vai nos salvar agora, Pai?
Restam memórias. Uma vida partida...
Sob o barro, um pedaço dela ficou...
Outro pedaço vem ainda conosco, Pai.
Ah, que dó dá de tudo que se passou...
Sem casa, sem rumo, sem sonhos, Pai
(Só barro e silêncio!)
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
Homenagem aos mortos e desabrigados na tragédia da barragem rompida na região de Mariana - MG. Todos esquecidos demais pela mídia em relação aos cuidados e apoio que deveriam estar recebendo - e ter recebido - de fato!

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