quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Lá se foi...

Lá se vai... Lá...! Esteve mal por longo tempo. Aguardou a chegada da esperança, mas ela surpreendeu negativamente, não mostrou-se presente. A fé não chegou a faltar, entretanto. Pensando bem, não que a fé não seja, em si, algo de esperança, sei lá, mas isso é uma abordagem ampla para essas palavras e não quero refletir nelas nesse momento... 

Enquanto os dias passavam, a vida ia passando junto das horas que iam também, uma a uma, somando-se para ela, na curta vida dela. Batida a batida do coração, respiração a respiração, até que, chegou o dia dia derradeiro em que não respirou mais e o coração cansou de bater sozinho. Ele já estava cansado... 

A vontade de existir, uma hora, cessa. Não sei bem se é do corpo ou da alma que parte a vontade de desistir e buscar aquilo que venha após a morte, o fim inevitável que aparentemente somos fadados a desconsiderar na vida comum para aceitarmos a condição de existir. Mas essa vontade de abandonar tudo e se entregar ao que há além existe dentro de nós, obscura. Eis que então um dia ela manifesta-se e toma conta de tudo para certas pessoas. 

A morte é o que há além do último suspiro. O último suspiro pode ser nossa última lembrança, decerto... É ele o rompimento das amarras que nos prendem à vida humana, tão curta, passageira - para uns, mais que para outros, infelizmente.

Alguns são escolhidos para o sofrimento, penso. Não sei se Deus tinha em mente isso quando criou o mundo. Será que Ele pensou bem quando criou o sofrimento? O fato de ser alegre ou de sofrer não é democrático. Alegria e sofrimento escolhem quem querem seguir e não largam, por vezes. São realidades teimosas em muitas situações. Se alegres, ótimo, mas e quando sofrendo? Sofrer é um processo de morte lenta, não apenas a morte lenta é um processo de sofrer.

Vez ou outra, surgem aqueles que têm a sorte de romper momentos de sofrimento e manter momentos de alegria por longos períodos. Algo como se algumas pessoas tivessem a sorte de, sendo escolhidas, poderem ter uma vida com mais alegrias que sofrimento. Esses são os verdadeiros esperançosos! Conseguiram ser brindados pela benção do olhar de Deus e têm esperanças nEle. Deus enxerga todos, mas não estende as mãos a todos - será? Não sei, mas há mesmo aqueles que sofrem mais que outros e isso me dói, me revolta, me inquieta. Que Deus me perdoe.

No mais, sei apenas que lá se vai... Lá... Outra alma que foi-se. Foi-se embora mais uma criança do mundo aguardando a benção da alegria, da esperança de alcançar os sonhos que tinha, mas morreu sem brindar testemunhando esse dia.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

_______
de julho de 2015; texto inicialmente disponibilizado em outro blog

Nenhum comentário:

Postar um comentário