sábado, 16 de abril de 2016

E Deus chorou


O céu adquiria tons de vermelho.
Algo como se Deus quisesse falar.
Estariam sangrando Deus?
Não enxerguei mais. 
Fechei os olhos.
Parte do céu caía...
Nuvens vermelhas tocavam o chão.
Explosões haviam me retirado qualquer sono.
O medo mantinha-me acordado.
Desesperados corriam pelas ruas.
Mal sabiam o porquê, mas corriam.
Afinal, correr é uma atitude instintiva.
O medo é uma reação que induz isso.
O país estava em guerra
E as pessoas morriam por isso.
Ruídos explosivos, angustiantes, 
Nada que os fizesse parar era acessível.
O homem construiu sua ruína
E deu nomes tecnológicos a tudo.
Metais por todos os lados.
Explosões, estilhaços, fagulhas, chamas
E corpos, muitos corpos.
Eu estava ali ainda após tudo. 
Minhas roupas haviam se rasgado...
Não sei bem como.
Eu estava quase nu, andando sem rumo.
Não havia ninguém que eu pudesse olhar.
Faltavam-me olhos...
Eu queria olhar olhos.
Onde estavam os olhares e as pessoas deles?
Tudo havia acabado.
Ao longe, mais explosões.
Deus havia de estar em algum lugar,
Mas com certeza também sangrava.
Os filhos dEle se matando...
Bombas, tiros, aviões, dispositivos...
Tantos dispositivos!
O pior desses não fora criado pelo homem,
Ou pela indústria da guerra que tanto mata,
Tanto matou e tanto gerou e gera lucros.
O pior dispositivo criado era o homem.
E quem o havia criado fora Deus.
Por isso, Deus sangrava... Deus sangrava...
E, sangrando, mais outra vez Deus chorou.

( homenagem a todos os mortos e familiares daqueles que nos foram retirados pela atrocidade das guerras )

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