terça-feira, 5 de abril de 2016

Imenso nada

Queria saber escrever. Sim! Ser daqueles que transmitem uma série de eternidades dentro de curtos textos. Queria transbordar em letras e sentenças tudo aquilo que me invade, me consome, me afoga e destrói a mim e todos os meus eus dentro de mim.

Ando só, apesar de todos os comigos de mim - tentando puxar para o texto o enorme, grandioso Fernando Pessoa. Não me aguento comigo. Sou muitos! Ora quero sair de toda a realidade que tenho, romper muros e desaparecer rumo a novos mundos. Ora quero apenas deitar na minha cama cotidiana e chorar o máximo de pranto que caiba em mim. 

Sou daqueles que pensa de si algo que não enxergam os outros. Não consigo convencer as pessoas ao redor do quão mal eu me sinto, o quão mau eu me acho. Nem bem, nem mal. Nada há de consenso em mim. Vivo aqui e ali tentando me esgueirar por entre os corpos nas ruas em meio à sociedade e, quiçá, achar um rumo a seguir, alguém para me espelhar, algum suspiro que me alivie.

Não. Nem bem, nem mal, nem força, nem fraqueza, nem ócio, nem ação. Sou nada! Simples assim. Não cabem em mim coisas que não sejam as incertezas sôfregas que me são meus outros eus. Somando todos, não sendo nenhum deles, sou um imenso nada. Mas sinto. Sinto sim! Sinto uma imensa dor que dilacera. Sinto muito...

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