Homenagem à inequívoca iniquidade
Quer seja cobra...
Quer seja tucano...
Quer seja afamado religioso...
Quer seja um reles tirano...
Quer seja um cidadão de bem...
Quer seja um consciente alienado...
Ou um alienado por (des)engano:
Vemos todos contribuindo
Para aumentar angústias e esperas
Pela ordem e pelo progresso.
Nossos planos tão sonhados
Que foram prometidos noutras eras.
Enquanto isso a tirania e ódio seguem vindo...
Muito "blábláblá" e muito "mimimi".
Muito partidarismo ensandecido!
Muita realidade para poucos sonhos...
Muita briga e ódio num país vendido!
Sem mudanças necessárias, segue o dissabor:
De ver o oprimido, em um todo mal construído,
Se erguer, mas se tornar o novo opressor!
Paulo Freire nos alertou e tinha toda razão:
As realmente necessárias e profundas mudanças
Terão de surgir de um novo modelo de educação!
Mas os poderosos não querem para nós tais saberes!
Muito pouco ou nada deram de si para ouvir o velho Paulo.
Como salientado em famigerada frase, tantas vezes repetida:
"A crise na educação do Brasil, não é uma crise. É um projeto!"
Em nosso povo, década a década sabotado
Com um modelo pífio de formação em educação,
Vê-se hoje, talvez mais que antes, um fato consumado:
Não houve um futuro coletivamente sonhado
Para nossa educação!
Aqueles que sonharam em conjunto
Foram calados ou expulsos da nação!
Não foi posto em prática qualquer plano!
Nunca foi prioridade educar nossas crianças.
Concluíram como caminho ter jovens e adultos
Inseridos num contexto de completa alienação.
Como assim? Explico melhor então:
Mais "produtivo", na visão do opressor,
É ter um povo pouco educado e cativo, não?
Os poderosos de sempre
Entenderam isso muito cedo!
Antes, educavam com chicotes,
Hoje educam destruindo a educação.
Destroem de diversas formas, com diversos boicotes.
O que sobra é um povo sem rumo sobre a terra
E que não se faz nação.
Ignorantes de si e das coisas, um povo assim
Não há de exigir muito de seus líderes eleitos!
Daí, basta educar e guiar esse povo com o medo!
Medo das guerras, medo dos comunistas...
Medo da fome, medo que não some!
É medo sob mais medo, medo e medo...
E o modelo de Estado que cresce
É o que sustenta uma sociedade de degredo.
Perpetua-se uma atmosfera que nos consome
Onde há medo da justiça, medo das leis...
Medo de ser morto na próxima esquina...
Somos terra onde há medo de tudo,
Como o de estar entre os mortos da próxima chacina.
Somos todos parte de uma realidade ferina,
Seguindo curso, suposta sina,
De ser simplesmente um povo acuado e mudo.
Seguiremos como gado, nas mãos de demônios?
Demônios criados que passam como anjos salvadores?
Capitanias hereditárias, ainda há, senhoras e senhores!
Antes eram só terras de reconhecidos "senhorios" medonhos.
Hoje todos vêm em ondas pelo ar, sem fio...
Chegam-nos dando ordens de todos os lados!
A tecnologia pôde trazer nossos tiranos
Para dentro de nossas casas onde seus discursos
E suas conivências ficam enraizados!
Nós? Presos, sem forças, nem asas, nem planos,
Como vamos nos unir, fortalecidos,
Para superar séculos de desenganos?
Séculos de verdades rasas e mentiras,
Tantas, que causaram em nós tantos danos,
Muitos deles já, aparentemente, esquecidos...
Quer ofendam-se por "coxinhas";
Quer ofendam -se por "petralhas";
Quer ofendam-se por outras bandeiras,
Todas hipócritas e falhas:
Dessa divisão criada, nada inteligente,
Apenas mostramos que aceitamos,
Defendemos e até adoramos essa gente
Que por nós não há de fazer nada!
O poder não é e nunca foi do povo
- ou de gente que pense para o povo!
Isso é mágoa para tantos que sonharam.
O sonho da democracia não é novo!
Darcy Ribeiro e Betinho, por exemplo,
Morreram na lida, sempre sonhando...
Dia após dia, lutaram pela igualdade
Que surgiria aos poucos, digamos assim,
Como do chocar de um ovo...
Mas entregamos nosso norte a essa plutocracia
Que nos rouba a democracia
E joga migalhas e discórdia sobre nós,
Povo esquecido, entregue à própria sorte...
Mantendo plutocratas no poder, as mãos calejadas
E os sonhos pueris de nós todos, seguirão vazios
Com o futuro a se perder de novo, de novo e de novo.
Como corvos ou abutres que comem
Nossa carne, que destroem nosso "ovo",
Reelegem-se por nós: esse tão perdido povo...
Fingindo-se de honrados, quase plácidos,
Defecam sobre a constituição enquanto voam...
Transformam a necessária política em indiscutível estorvo.
Que haja logo o desencarne dessa vida
Ou, para ser brasileiro, terei de mudar
Meus sonhos e expectativas na lida.
Pois vejo que o poder nunca será fraterno!
Nossa realidade nunca passará desse inferno.
Ora um, ora outro, gritando palavras
Com bandeiras, estrelas, bonecos nas mãos
E slogans pensados no peito...
Buscam todos, somente (e tão somente),
Levar um dos seus a ser (re)eleito!
Usam o povo que, tolo, deixa-se persuadir...
Surgem os novos messias, a cada pleito,
Com palavras bem ditas e frases de efeito...
Enfim, levaram de mim o que havia de esperança
E seguem matando um tanto de mim que há...
Mas não vou me resignar! Vou resistir!
Claro, não sou daqueles que luta querendo vingança!
"O homem é dono do que fala e escravo do que cala".
Não vou me calar e posso ainda falar!
Mas sei que há em nossos dias
Gente que mataria, se pudesse,
Quem deles discordar. Ainda posso discordar?
Posso! É direito de todos - e que seja assim
Apesar de tudo!
A busca pela equidade
Nunca sairá do papel?
E o papel da Constituição,
Seguirá servindo a quem?
Aos poderosos de sempre, invisíveis,
Na Terra e nos céu,
Às leis? Fingindo e fazendo propaganda
Auto-intitulando-se gente de bem?
O povo seguirá desunido
Por esse ódio implantado, insano e demente?
E os réus? E os condenados?
Seguirão como algozes libertos
Tendo-nos sempre por massa cadente,
Passando-se de maneira tão hipócrita
Por gente decente?
Decerto, sempre poderosos e impunes,
Ninguém nunca calou suas vozes!
Foram e são sempre aplaudidos (e votados),
Todos eles tidos não por réus,
Mas sempre por reis - embora atrozes!
Vendo isso, os dizeres "Ordem e Progresso"
Seguem desgastados.
Nossa gente perdeu suas vozes?
Corrompidos numa sociedade imatura
Ainda aceitamos o poderoso que nos adula
Enquanto mata inocentes em uma cela escura.
Nenhum comentário:
Postar um comentário