Que diabos estou eu fazendo pelo mundo?
Olho no espelho e não encontro respostas.
Não tenho a mente que deveria ter,
nem o espírito forte que me seria necessário,
nem mesmo um corpo forte eu tenho.
Sou como um verme que existe apesar do mundo.
E o mundo vive apesar de mim.
Temos uma relação não mutuamente excludente,
mas independemos um pouco, um do outro...
O mundo me faz crer que não sou o que deveria.
Eu faço o mundo entender que não me dou conta dele...
Logo, ele e eu vivemos em frangalhos numa corrida
onde eu estou sempre pra trás.
Não?
Como será isso?
Até quando vou procurar encontrar respostas?
Seria melhor eu entender que a resposta final é essa:
não há respostas!
Ou, se há, eu não as mereço.
De fato, tudo isso pode ser pelo fato de eu ser um verme...
Sou mesmo uma coisa inútil que segue os dias acabrunhado.
Quem quer isso para o mundo?
Nem o mundo quer isso para ele mesmo!
Calo-me.
Olho e espelho manchado...
Vejo-me como ele.
Reflito uma imagem manchada ao mundo
- e à mim mesmo, decerto!
Quem sou?
O que sou?
Nem o espelho mostra-me inteiro, sem máculas ou manchas...
Melhor seria se eu não fosse nada, talvez.
Ou nem existisse.,,
Quem dera...
Quem dera...
Olho para as pessoas que passam na calçada da frente,
todas parecem estar decididas a caminhar em seus passos.
Eu, a cada passo meu, olho para trás para ter certeza
se não destruí parte de mim pelo caminho.
Entende?
Não?
Se não entende, não se preocupe.
Nem eu mesmo entendo-me às vezes.
Acendo um cigarro e curto a fumaça saindo de mim...
Sim, são suspiros de fumaça, na verdade.
Tento calar a mente a cada trago...
Mas trago para dentro de mim em cada inspiração mais dúvidas,
mais pensamentos, mais angústias...
O cigarro queima minha mão enquanto eu fico pensando.
Acendo outro cigarro como se nada tivesse acontecido.
Melhor estar com dúvidas tragando um cigarro
do que ter as mesmas dúvidas sem um cigarro nas mãos.
Suspiros esfumaçados. Só isso.
Suspiros esfumaçados.
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