Conheci vários "eus" durante minha vida. Estavam todos comigo! Vez ou outra, um tomava conta dos demais e eu seguia sendo mais um ''eu'' do que outros, como se dentro de mim houvesse sempre uma disputa de vários estágios de "eus" diferentes que queriam dominar a tudo dentro de mim... Nesses cenários de disputa, vários outros ''eus'' ficavam à espreita para poderem tomar conta de mim tão logo lhes fosse possível enquanto esse ou aquele outro ''eu'' virava protagonista por alguns dias, horas, semanas...
Vivi sempre assim: eu comigo e os ''comigos de mim" tal qual Fernando Pessoa dizia de si mesmo. Por vezes, fui corajoso. Outras tantas vezes fui temeroso, cheio de neuroses e inseguranças. Em outras épocas fui um jovem de frases contundentes e cheio de si. Hoje, nem sou mais tão novo, mas também ainda não sou velho. Sou hoje uma mistura talvez mais homogênea de todos os ''eus'' que fui e sou. Nem tão corajoso, nem tão medroso, nem tão cheio de si, nem tão descrente de minhas próprias capacidades e habilidades humanas.
Sou um emaranhado de ''eus'' que tentam tomar espaço comigo, em mim! Tento fingir que tenho segurança e controle por sobre todos os ''eus'' que encontro dentro de meu ser, mas, não raro, fracasso e acabo caindo nas garras de um ''eu'' menos feliz e mais introspectivo que me coloca abaixo das expectativas que eu insisto em ter. Nessas horas, o "eu'' corajoso que fui fica submerso num mar de metafísica e sonhos por serem conquistados, sem respostas e sem conquistas, mas sonhos esses que encontram-se presos aos tentáculos dos medos que crio e me consumo neles. Fico submerso, é fato, em vários momentos, sobre um amontoado de receios, medos, inseguranças e tristezas.
Em meio a isso tudo, o maior medo que tenho é de perder para mim mesmo nessa luta de "eus" dentro de mim lutando comigo. Quem será a essência do "eu" maior que há em mim? Quem me domina: um "eu" frágil ou um "eu" dono de si? Ainda não sei. Pode ser que eu ainda seja jovem demais para ter a solução para esse mistério. Pode ser que eu esteja já velho demais e a conclusão já tenha passado diante de mim como um cavalo selado que eu não montei...
Pode ser que tudo acabe e eu morra sem conhecer o "eu" maior que há dentro de mim, a essência do "eu" que sou. Mas, será que sou tão diferente dos outros nessa sociedade que mal sabe o que quer? Não sei. De minha parte fico eu aqui comigo e com os "comigos de mim".
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