Nasci como um velho.
Desde novo, cheio de dores.
Sim, e cheio de lágrimas.
Arrependimentos de coisas que nem sei...
Um aperto no peito... Uma angina?
Não sei bem definir a fisiologia.
Sei bem apenas sentir os fatos, os acontecimentos.
De dores em dores, como num parto,
Nasço e renasço a cada dia com novos sonhos,
Mas hoje com menos esperanças que outrora tive.
No peito, bate um coração calejado por enganos.
A mente não perdoa as falhas que cometi.
Os pesadelos não me dão trégua.
Fico sem fôlego às vezes e me calo.
Suspiro profundamente.
Ergo-me da cadeira.
Olho pela altura da janela, o vão aberto...
Respiro um ar novo e sei-me como antes.
Choro mais lágrimas sabendo-me estanque.
Vejo fotos na parede, na memória.
Fico cego de saudades por um instante
E o mundo se acaba para mim em sentido desde então.
O amor perdeu-se.
A saudade ficou.
A dor deixou cicatriz.
A cicatriz sou todo eu.
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