domingo, 2 de abril de 2017

Pedaço de isopor

Sou feito de isopor. Pálido, quebradiço. Esfarelo ao primeiro toque mais intempestivo. Não sei resistir. Apenas tenho existido, seguindo um caminho que desconheço. Afinal, quando se está perdido, qualquer caminho serve. Essa tem sido minha sina, deixada pelo Gato, personagem de Alice no País das Maravilhas, à personagem principal daquela obra tão bela e tão cheia de significados.

Sem se saber para onde se está indo, sem caminho definido, qualquer caminho é lícito e ideal. O importante é caminhar! É chegar mais longe. É tentar ganhar a corrida da vida onde todos competem com todos e só uns poucos conseguem algum sucesso. De minha parte, não tenho conseguido, mas fujo, corro, tento. O caminho vai sendo criado na medida em que caminho.

Por vezes, sinto-me como o verme que se alimenta de restos; alimento-me de meu passado, de minhas indecisões, de minhas decisões erradas. Sou um verme, sim. Corroendo a vida que eu podia levar, mas não levo. A vida é quem me leva. Eu apenas vou sendo guiado para um caminho qualquer desconhecido que dará em algum lugar que também desconheço.

Foram muitas decisões erradas. Foram muitos anos decidindo errado sobre qual caminho tomar. Hoje, num caminho que não reconheço-me nele, olho para os lados e vejo transeuntes insossos; sou mais um ali. Sem vida, sem gosto, sem esperanças. Apenas aguardo o dia em que eu encontre o amor na vida, o amor próprio e encontre a mim mesmo. No mais, tenho apenas me despedaçado como um pedaço de isopor deixado exposto ao tempo.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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