terça-feira, 24 de outubro de 2017

Crítica ao capital puro

A vida é uma imensa busca por significados. Cada um encontra os seus e defende seus interesses e conclusões. De minha parte, vejo que a busca por significação da vida na imensa maioria das pessoas tem sido aliada à busca pelo capital. Sim. A busca por ter, poder, conquistar. Posses! Será que essa é a significação dada à vida que os filósofos, religiosos ou não, pensavam ontem ou nos aconselhariam hoje? 

Vejo que uma imensa ordem de pessoas privilegiadas insistem em não se ver como privilegiadas. Em não se vendo como privilegiadas, por vezes se veem como sofredoras das mesmas mazelas que os cidadãos desafortunados. Coisa que, aos olhos desatentos, pode passar desapercebida, mas para os olhos pelo menos um pouco treinados em observar causas e questões sociais não passa desapercebida.

A riqueza é um crime? Óbvio que não - se foi construída em cima de trabalho honesto. Mas o não envolvimento no combate às misérias alheias isso sim é (ou deveria ser) um crime. Saber-se privilegiado numa sociedade tão imensamente pobre e não fazer nada para tentar erguer os desafortunados de sua condição de penúria é sim um crime.

A riqueza pode ser sim uma vitória, mas a felicidade da minha vitória não me pode alienar de minha responsabilidade para com a derrota dos derrotados. Entendem? De que adianta eu passar uma vida usufruindo de privilégios meus, adquiridos ou conquistados, sabendo que a imensa maioria dos cidadãos como eu vivem em penúria? Será que não fazer nada diante do sofrimento alheio nos será uma opção de atitude? Não deveria ser. Deveríamos todos lutar pelo fim das desigualdades e, sendo fraternos, nossos privilégios nos deviam abrir os olhos para as misérias dos desafortunados. 

Será que isso um dia irá ocorrer? Será que seremos um dia fraternos? Não sei. De minha parte, até lá, tento agir e sonho esperando que esse pesadelo de misérias sem fim de meus irmãos de caminhada acabe um dia.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Um comentário:

  1. Preciso, mas será papel dos que tem os "olhos treinados" sensibilizar os q só buscam o capital? Os que ignoram a existência de seres humanos menos afortunados? Abraços mestre

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