O benefício da dúvida é ótimo. É muito bom estar cheio das "ignorãças". Como Manoel de Barros, tenho também o ótimo "privilégio de não saber quase tudo"...
Mas, nesses tempos de estética, ostentação, é importante parecer que se sabe. Daí o silêncio é algo, em principio, improvável para muita gente. E, com isso: todos querem falar! Há uma espécie de obrigação... E isso é nítido ainda hoje, mesmo não convivendo tanto com as pessoas. As redes sociais estão aí para mostrar.
A necessidade de opinar em tudo. Tudo! Não apenas opinar, querem convencer. Num monólogo chato pelo qual há quem não aguente mais participar disso. Eu sou um.
Converso com quem permite diálogo. Do contrário, apenas ignoro ou desvio o assunto - sem ofender, claro. Há pessoas que precisam soltar seus ódios. Há vezes em que as deixo falar, mas cuidado: não se habitue a pegar para si.
Mesmo sem ninguém pedir a opinião, é extremamente comum alguém criar um dicionário inteiro de termos que ele próprio se encarrega de traduzir e criar como o roteiro da linguagem para aquele pressuposto diálogo. Não há espaço para pensar além, muito menos pensar diferente e contestar. Não se zangue por isso.
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Dica: dê respostas bovinas quando pessoas começarem a opinar impondo suas ideias. O que são essas "respostas bovinas"? Sabe boi, né? Vaca? Eles dizem o quê? "Hummmm". Imite! Faça isso. Ou então: "Ah, tá!". É libertador. Não dando jeito, use também o "te entendo!". Ajuda muito!
Orientais disseram há séculos algo como: não fale nada se não tiver plena convicção de que suas palavras serão melhores que o silêncio. Ou seja: na dúvida, fique calado.
Se ficar em silêncio for algo constrangedor, repita comigo: "humm!". E pronto. Faça cara de paisagem e/ou finja demência. Repito: pronto! Saúde mental é tudo! Não insista em permanecer naquele "diálogo" em que você não cabe ou, de fato, nem está inserido, de fato - monólogo que é.
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Para além das sugestões inúteis de minha parte expostas acima, recomendo algo pautado no grandioso B. Espinoza: não rir; não chorar; não lamentar; ao invés disso: compreender. Seria isso uma missão atribuída aos filósofos, mas todos nós podemos angariar essas metas...
_ texto de Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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