sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Sobre o doar dentro do perdoar

 Perdoar tem, não por coincidência, o verbo "doar" embutido. Isso nos remete à uma realidade: é impossível perdoar equívocos alheios sem que, nisso, estejamos doando algo de nós.

Existem os que perdoam doando de si sua compaixão. Exercem algo de empatia e entendem que não podem atirar pedras uma vez que são passíveis de equívocos também. Essas pessoas perdoam e seguem. 

Perdoar não é esquecer. Já disseram bem e reforço aqui. Porém, não esquecer não quer dizer ter mágoas. Longe disso. É, num exemplo tosco, você queimar a mão no fogo. Ninguém tem raiva do fogo por ter tido sua mão queimada num passado remoto. Mas, uma vez queimada, passamos a ver o fogo de outra maneira. Não esquecemos que aquele fogo pode queimar, mas ficamos perto o quanto nos seja possível e tanto quanto não nos fira a carne. Entendem?

Há os que perdoam em total fraternidade. Sabe a parábola do filho pródigo. Então... É comum as pessoas que se dizem cristãs, ou até de outras filosofias religiosas, se emocionarem com ela. É bela e profunda. Mas: e se fossemos nós aquele pai? Qual seria nossa atitude de perdão? O que iríamos doar de nós mesmos para aquele nosso filho no seu retorno? Aquele pai da parábola doou todo seu amor, em fraternidade. Não apenas em vias de sua paternidade imediata, mas viu naquele filho um espírito sedento por aprendizados. O recebeu, acolheu e fez seu coração de abrigo para seu retorno.

Há diversos exemplos de doação em termos de perdão. Até existem os que perdoam num sentido de "obrigação" quase dogmática. Não creio serem um bom exemplo aqui, mas há desses, claro. Perdoam utilizando-se das aparências. Mas deixam a mágoa guardada e que (re)surgirá um dia sobre alguém ou sobre o próprio algoz inicial.


Bom, perdoar é doar de si seu melhor. Quando não temos muito de bom para oferecer, mesmo assim, se tentamos perdoar alguém, que saibamos aplaudir nossa iniciativa. Aplaudir as tentativas das pessoas ao nosso redor. Claro, sempre vigiando a nós mesmos - e os demais, na medida do possível - para que nosso perdão seja cada vez mais um exemplo de doação próspera.

Que não nos esqueçamos do perdão dado pelo pai do filho pródigo. Pensemos sempre conosco próprios: "e se eu fosse aquele pai? Que perdão eu proporcionaria?". Haverá muito aprendizado para ser conquistado a partir do dia em que estudarmos mais a fundo aquela parábola.

Cada um ao seu tempo, saibamos nós, todos, ter disciplina para refletir sobre os paradigmas implícitos na tarefa de perdoar. Saberemos doar o melhor de nós a cada novo perdão.

Estejamos vigilantes. Sempre!

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