Tento deixar para o mundo algo do que penso, escrevendo. Agonias? Dores? Alegrias? Poemas? Crônicas? O que mais? Não! Não sei qual modelo me afaga mais em minha ânsia humana por paz. Catarse? Sim, um pouco. E me basta! Trazendo algo de ''Tabacaria'', de F. Pessoa, digo: espero que fique, ''da amargura do que nunca serei, a caligrafia rápida desses versos'', num pouco de mim. Eu, que ''não sou nada, não posso querer ser nada''. Mas, ''à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo''.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
A passos curtos
A passos curtos temos caminhado. Por durante muitos anos, o homem se viu aflito frente às desavenças e medos gerados por uma denominada “Guerra Fria”. Ditaduras espalhadas por todo o globo. Hoje, não nos vejo tão longe daquela época. Não a vivi, confesso, mas creio que nossos sentimentos não seriam muito diferentes dos de hoje.
Se estivéssemos ainda na guerra fria, teríamos medo constante de uma nova guerra mundial; de novos conflitos armados; de vermos nossas casas sendo invadidas por militares. Opa!, nesse caso, não temos mais tanto medo de serem invadidas as nossas casas por militares, mas temos excesso de medo de que, em qualquer hora, algum bandido qualquer, um jovem (provavelmente) que vive à mercê da sociedade desde que nasceu, pule nossos muros e adentre em nossa residência com intenções que nos afligem; jovem esse que não teve (muito provavelmente) um lar, uma família na forma de um pai ou uma mãe que lhe colocassem no colo lhe dando conselhos e afeto nos momentos de dificuldades, de dúvidas ou receios. Sem medo da morte, esses jovens seguem a vida aos seus modos. Hoje, vivemos acuados por vários medos e em todo o tempo!
Por todos os lados, o medo nos assombra, tornando-nos acuados. A qualquer momento podemos ver países sendo invadidos pelas mais infames desculpas. A qualquer hora do dia, famílias inteiras são mortas por motivos mais triviais. Pais, mães, filhos se perdem no caminho dos vícios, das drogas, da violência, do desamparo. Somos todos reflexo dos medos que criamos há anos e que não os deixamos ir. Construímos e perpetuamos a sociedade e as coisas que nos causam medo. Ainda somos vítimas dos mesmos (talvez um pouco mais modernos hoje em relação a outrora) medos de sempre.
Andamos a passos curtos. Estamos tendo dificuldades em ver nosso passado distante de nós, deixado para trás. Há séculos e séculos homens matam seus semelhantes. Antes era “olho por olho, dente por dente”; hoje nem mesmo temos um bordão qualquer. Antes, homens matavam quando iam às guerras, quando julgavam que sua honra havia sido afetada, ou que a honra de sua família havia sido atingida de alguma forma. Hoje, matam-se por nada. Por desavenças no trânsito. Por desavenças no esporte. Por desavenças do lar. Matamos como animais irracionais, mas nem os animais irracionais matam sem motivos. Eles matam para dar o que comer à sua prole, visando sua sobrevivência. Matamos hoje por qualquer motivo e, pasmem, por prazer até. Caminhamos a passos bem curtos. Alguns de nós nem mais caminham - ou por medo ou porque não sabem que avançar é parte de nosso objetivo na Terra.
Somos caminhantes errantes. Muitos de nós se crêem sem lugar para ir. Esses caminham sem vislumbrar qualquer lampejo de esperança. Caminhamos a passos curtos, embora a maioria de nós não o perceba ou nem se importe. Outrora éramos mais reflexivos. Sócrates e Platões não mais habitam nossas praças, pois ou têm medo de saírem às ruas ou não têm tempo de refletirem mais – pois, acredito, a internet e seus empregos têm tomado conta de todos os momentos de seus dias.
É fato: caminhamos a passos curtos, amigos! Mas sempre adiante. Embora o pessimismo nos assombre assim como o medo, a verdade caminha de mãos dadas conosco e o Bem Maior nos espreita a todo tempo não nos deixando perder as esperanças e os rumos da caminhada.
Adiante, companheiros. Adiante! Sempre em frente. Avante! A passos curtos ou não, mas cada um ao seu tempo, porém todos para frente...sempre para a frente, rumo a um futuro sem os medos que tanto nos corroem hoje. E ele há de chegar!
Pedro Santos Xavier
domingo, 5 de setembro de 2010
Carta de um simples caboclo
Caro Deus,
O que está ocorrendo com o mundo? O que foi feito daquilo que criastes? Não me reconheço em tua criação. Nada mais me desperta curiosidade no homem, mas em muito descubro o medo por ele. Não sabia eu que tuas mãos, que há muito trabalharam na criação de tudo isso o que vejo enquanto lhe escrevo, estariam em descanso um dia. Deus, tu te esqueces de nós ou nós nos esquecemos de ti de uma vez por todas? Quem mais negligencia o outro? Perdão Deus, por minhas dúvidas, mas sou apenas um ser assustado pelas conseqüências de Sua criação.
Senhor, tenho tido dificuldades em encontrar homens bons. Há muito não me recordo de quando vi um homem feliz. Não digo da felicidade trivial, mas felicidade plena daquelas que fazem brilhar os olhos. Tenho medo do amanhã, confesso. Falta-me fé? Há muito tenho medo do homem, meu semelhante, sabe? Falta-me a coragem? Não sei mais onde me esconder, Senhor! Dentro de mim? É o que tenho feito. Não quero aqui simplesmente lamentar. Digo a você simplesmente o quanto sofro por isso, pois tenho certeza que estás muito ocupado e, por ora, esquecestes de nós. Mas olhe novamente para nós, Deus! Sei que são muitos os mundos, os planetas, e é grande o universo, mas tende piedade de nós, tão pequeninos aqui na Terra.
Quando oro, quero sentir a certeza de que estás ali, no silêncio de meu coração e no desalinho de minha mente. Senhor, se tiveres tempo, venha nos visitar um dia e verás que tal desespero é motivado por uma enorme sensação de desamparo. Agradeço pela natureza que criastes e que nos dá de comer. Agradeço pela terra, que nos sustenta os pés e nos dá os frutos de nosso trabalho. Agradeço pelos animais que nos fazem relembrar que ainda podemos ser honestos com a natureza, mesmo tendo de usufruir dela. Agradeço pelas religiões, pois graças a elas sabemos que a tolerância e o respeito devem superar qualquer discussão - embora não tenha sido historicamente assim. Agradeço por poder falar contigo, pois assim sei que não estou só. Agradeço pela solidão que às vezes me persegue ou insisto, pois assim sei que tenho que ser melhor a ponto de nunca perder a fé e cobrar de mim sempre ser uma melhor companhia para mim mesmo. Agradeço pelas crianças que nos fazem perceber que a vida é mais bela que nos parece e que somos culpados pelo mundo que construímos para elas. Agradeço pelos homens de bem que nos fazem perceber quanta culpa temos pelas mazelas de nossos dias e o quanto somos seres egoístas que tanto ainda tem por melhorar. E agradeço-te pela paciência para conosco, pois assim sei que não precisamos ainda perder as esperanças no homem, afinal ele é filho Teu.
Desde já, agradeço-te por ter lido essa humilde carta.
Desculpe-me se deixei transparecer alguma falta de fé, mas sou apenas um humano, Senhor. Saiba que sempre confiarei em ti.
Não te esqueças de mim nem de meus irmãos de caminhada.
Ass: um de teus filhos.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
Sobre a imensidão
Olho para o céu
Percebo a imensidão
A chamar-me pelo nome
Ao alcance de minha mão
Tento tocá-la
Infringindo a lei de Deus
Mas vejo que
por mais que esteja perto
Mesmo se eu tentar
Será apenas ilusão
Tocar o infinito
é sonhar um sonho em vão
Num vôo alto
Tal qual gavião
Afasto-me da realidade
Desprendo-me do chão
Em busca da infinitude
Daquela imensidão
Mas nada!
Pleno em lágrimas
Percebo a decepção
De ter sido
por um instante
Enganado
Traição!
Há pouco me via lá
Só o céu a me olhar
E nada eu toquei
Por que me esforçar?
Te digo que tentei
Mas sem nada a declarar
Voltei, assim, sozinho
Mas novo
Pois percebi que o céu
É algo além
Da minha imaginação
E da sua também.
A imensidão é um sonho
Um brinquedo nas mãos de Deus
E nós aqui pensando
Onde estamos indo?
Pra onde caminhamos?
A resposta é simples
Não há nada a encontrar
Pois não se encontra com um sonho
Ele se nos agarra
Pelos pés, mãos
Nos prendendo no chão
E, enfim, a realidade.
É, amigo,
Não se atenha a sonhar
E sim, se concentre no caminhar!
Pois sonhando o tempo passa
E com ele, nós também
À espera de algo
Que nos veio de Belém
E permanece entre nós
Sem ser visto por ninguém.
Pedro Santos Xavier
sábado, 4 de setembro de 2010
Conselhos de um alguém
A graça da vida não é privilégio do homem. Nem a dádiva da morte. Ou a dádiva da dor. Ou as dádivas dos sofrimentos e alegrias terrenas. Todos somos filhos de Deus, ao nosso modo. Como seres humanos ou não, dignos, todos somos, das graças divinas para conosco. O amor, outra das graças proporcionadas e ofertadas aos seres, é imensidão de bênçãos espalhada pelos caminhos da labuta terrena. Em meio a tantos martírios e venturas, fazemo-nos mais ou menos felizes de acordo com o tanto de amor que a todos ofertamos. Ofertemos amor, meus caros. Ofertemos tudo o que pudermos aos que pouco tem, mas que muito se sentem necessitados. Nessa lógica, muito bem lembrou-nos nosso mestre Jesus quando nos disse para ofertarmos a outra face aquele que nos esbofeteou uma delas. Perdoemos ao outro! Perdoemos sempre! Oremos pelo outro! Oremos sempre! Amemos a todos, também sempre! Pelo amor e por amor seremos felizes, pois o amor é imensidão de paz que nos ronda quando dele usufruímos e fazemos valer em nossos corações através dos atos de afeto para com todos os seres. Não separemos nossos alvos de amor. Não tornemos distintos esse ou aquele ser a ponto de direcionarmos nossos atos. Ofertemos amor, apesar de tudo. Ofertemos aos seres humanos, nossos semelhantes, bem como aos demais animais e coisas desse mundo em que habitamos. Ofertemos esse amor a todos, apesar dos atos de uns que nos não pareçam corretos. O certo e o errado não nos pertencem, não nos cabe julgar, mas sempre nos pertencerá nossa oportunidade de ofertar amor e paz aos que nos ladeiam na caminhada.
Amemos a todos. Sejamos bem aventurados, segundo o Cristo nos pediu e nos ensinou. Não será por falta de ensinamentos que erraremos, mas sim por nossas falhas de compreensão. Saibamos usar a dádiva do livre-arbítrio trazendo o bem para nossos corações. Tornemos a nós todos fiéis seguidores dos atos do Cristo. Façamos em nós a diferença que esperamos para o mundo. Somemos nossos atos de caridade com os dos outros. Amemos somando nosso amor aos demais amantes do mundo. Façamos o bem, sempre! Agreguemos bem estar às vidas de todos. Nunca julguemos o alvo de nossos afetos. Nunca deixemos de ofertar aquilo que gostaríamos de receber. Sempre e sempre doemos a nós mesmos ao mundo, conforme Jesus nos pediu. Não subimos à cruz para pagar nossos pecados, mas deixar de ofertar o amor que Ele nos ensinou, é criar novas cruzes para serem carregadas pelo mundo já tão escarnecido pelo males que se nos interpõem por durante a caminhada.
Pedro Santos Xavier
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