sábado, 8 de janeiro de 2011

Modernidade

A humanidade achava-se linda. Tudo e todos estavam belos. Parecia a primavera da razão. O povo se enfureceu, todavia. Que loucos! Criaram-se as fábricas, criaram-se os carros, aviões... Pareciam sementes de uma mesma planta - e era cheia de espinhos. Planta essa a qual chamamos de ''modernidade''.

Muitos se machucaram, mas nunca desistiram. Tentaram e tentam todos esses adubar a planta objetivando superar limites os quais ainda estão a nos cercear em tantos aspectos. Queremos a planta, mas que ela não nos machuque... Pensamos assim da vida, do progresso, da tal modernidade e das suas conquistas... Por que?

Se quero ficar no chão, na terra, por que não? Uns acham melhor assim. É lícito não querer acompanhar o progresso da humanidade. Talvez sim, mas acho que não deveriam ficar aquém dos avanços. Acho também que tantos tentam orientar o crescimento dessa planta contra o progresso, apenas visando benefícios a si mesmos e suas corporações as quais representam. 

Ah, a planta cresceu, está aí e cresce...cresce... Muitos vão juntos tentando alcançar o céu junto à planta a cada dia mais alta. Mas os espinhos, embora alguns tenham caído, ainda machucam e tantos deles são gente como nós que tomam-se por parte da planta!
                                                                                                   Pedro Igor Guimarães Santos Xavier



Explicação:
A modernidade é exposta numa metáfora como se fosse uma planta. Uma planta repleta de espinhos, pois a modernidade trouxe inúmeros bens, mas diversos males consigo. Muitos já se machucaram com os "espinhos" da modernidade - o que dizer acerca de Hiroshima e Nagasaki? Sempre queremos desenvolver mais e mais tecnologias - daí o: "Muitos se machucaram, / Mas nunca desistiram.". 
Nunca vemos um limite para a criatividade humana moderna, e não ter limites é o que queremos. Vivemos em um mundo que se renova a cada instante em novas tecnologias e novidades, porém queremos que os avanços conseguidos sejam sempre bons, mas não ocorre assim - "Queremos a planta, mas que ela não nos machuque...". 
Sentimo-nos tão onipotentes devido às tecnologias que criamos no mundo moderno que quase nos sentimos verdadeiros super-heróis, capazes de voar e transportar montanhas e mundos. Porém, nem todos mais conseguem ser tão otimistas e confiantes diante das novidades tecnológicas. Quantos aviões já caíram matando inúmeras pessoas? Quantas doenças já se propagaram em verdadeiras pandemias devido nossa incessante vontade (e facilidade) de viajar pelos quatro quantos do globo. Daí, diz-se: "Se quero ficar no chão, na terra, / por que não?". Ficar no chão pode ser entendido também como vontade de ser indiferente aos avanços da tecnologia.
Pela própria tecnologia, conseguimos corrigir alguns dos erros por ela mesma proporcionados, porém ainda vivemos atormentados por nossos antigos erros ainda no presente - vide as guerras por nós criadas e os inúmeros mortos provenientes delas. Daí, nesse raciocínio, diz-se: "Mas os espinhos, / embora alguns tenham caído, / ainda machucam!".

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