Certa vez, ouvi alguém dizer algo usando a expressão: “realidade real”. Foi algo muito redundante e vazio na ocasião, mas, hoje, como até nas coisas irrelevantes aprendemos algo, percebi que poderia refletir sobre essa expressão. Pensei e conclui: hoje, não vivemos na realidade real. Como assim?
Somos uma sociedade que não sofre com tsunamis como aqueles que recentemente devastaram terras no Haiti e Japão, mas somos vítimas de uma avalanche de problemas sociais que nos inundam o cotidiano, devastam nossa realidade e, em sendo tantos os problemas, ficamos impedidos inclusive de delimitá-los para que assim pensemos neles com a devida sapiência. Vamos tentar então. Reflitamos!
Recentemente, poucos anos, um estudo realizado em nosso país revelou que, a partir de 2015, segundo dados da Agência Nacional de Águas, mais da metade dos nossos municípios (55%) sofrerá com crises no abastecimento de água. Nesse estudo, definiu-se em estimativa que são necessários investimentos de algo em torno de 22 bilhões de reais em todo o país para evitar tamanha catástrofe, para mim, vexatória. Com esses investimentos, talvez (repito: talvez!) consigamos sanar esse problema da falta de água para os próximos anos que nos virão. Será que conseguiremos isso? Há interesse e envolvimento político suficientes para isso? Há de nossa parte vontade suficiente para reivindicar e exigir alguma coisa, demonstrando algum engajamento social? Deixo a pergunta para o leitor.
Reflitam, pois é assustador e está por vir, em breve! Vou repetir: segundo o estudo citado, se nada for feito desde já, a partir de 2015 boa parte dos cidadãos de nosso país terão falta de água potável em suas residências. Estranho não? Dizem que o Brasil possui 12% das reservas de água doce do mundo. Como isso poderia ocorrer aqui, então? Não seria por falta de água, creio eu. Mas, o que de fato assusta-me é: sendo isso uma verdade, como ninguém está se mobilizando para evitar tamanha catástrofe? Não sei! O fato é que nossos sistemas de tratamento e distribuição dessa água (isso, diga-se de passagem, quando eles existem de fato!) estão comprometidos ou se comprometendo rapidamente por falta de investimentos públicos necessários. Coitados de nós e das gerações futuras - embora já existam inúmeras famílias que já hoje sofrem desse mal aqui em nosso território brasileiro.
Nosso povo viveu acuado, sem muitas esperanças de liberdade de expressão por muito tempo, pois vivíamos até poucos anos atrás mediante um regime autoritário, em ditadura militar. Passaram-se mais de 25 anos, mas ainda não percebemos (ou retomamos) nosso poder de voz e nosso direito de liberdade de expressão. Somos calados! Permanecemos em silêncio enquanto os fatos sucedem-se, um a um, em nosso favor ou não. Políticos roubam. Pessoas morrem assassinadas. Seus assassinos, muitos deles, vivem por aí em liberdade (conseguida por artifícios das nossas próprias leis, vale ressaltar). Livres também ficam todos aqueles políticos que nos roubam! Motoristas embriagados atropelam, causam acidentes e continuam soltos, bebendo e dirigindo - veremos se a Lei Seca atual atuará em nosso favor (será?). Estradas repletas de buracos, como todos achando que privatizar seja coisa boa - não se atentando que pagamos impostos para isso. A saúde em caos absoluto, sem valorização ou respeito (tanto dos gestores quanto da população) aos seus profissionais. Para aonde estamos caminhando com isso? Para uma Copa do Mundo, nós estamos e todos sabem - e para alarde da consciência social que porventura ainda exista: ainda aplaudem!
O que motiva nosso silêncio diante disso? Se o ato de silenciarmos nossa revolta fosse-nos conveniente, aí teríamos um argumento. Mas, isso não ocorre. Tudo de um jeito ou de outro repercute em nossas vidas negativamente. Sofremos sempre com os fatos, mas não podemos mais manter o papo de sermos vítimas deles. Somos responsáveis devido nossa inércia, nossa ausência de engajamento social! Engajamo-nos em muitas coisas, futebol é uma delas, mas sempre coisas frívolas, sem sentido social que nos induza à melhora. Precisamos mudar! As redes de mídia (impressa ou televisiva) com seu imenso poder de formar opinião e instruir as massas, não aproveitam suas possibilidades ilimitadas e, infelizmente, apenas visam o lucro! Esforçam-se e desdobram-se por reportagens que darão ibope, ou seja, em outras palavras, visam reportagens que darão dinheiro, puro e simplesmente dinheiro!
Enquanto nós e nossos meios de informação permanecem calados, nossos recursos naturais estão sendo explorados de forma desenfreada por marajás da devastação da natureza. Desmatam-se amplas áreas florestais em nosso solo pátrio a cada dia. Tais marajás descobriram na prática do desmatamento inconsequente (criando-se em suas fazendas pasto e plantações que gerem lucros!) uma verdadeira forma de plantar verdadeiras árvores de dinheiro. Colhem delas seus frutos em dólares ou euros! Ao povo? Nada! Cortam-se as árvores nativas de grande importância inclusive medicinal (algumas delas) e, após isso, ali mesmo, criam-se gado ou plantam-se os famosos eucaliptos - ou outras árvores não nativas, mas de interesse financeiro de uns poucos empresários desse mercado negro. O que fazemos nós?
O que motiva nosso silêncio diante disso? Se o ato de silenciarmos nossa revolta fosse-nos conveniente, aí teríamos um argumento. Mas, isso não ocorre. Tudo de um jeito ou de outro repercute em nossas vidas negativamente. Sofremos sempre com os fatos, mas não podemos mais manter o papo de sermos vítimas deles. Somos responsáveis devido nossa inércia, nossa ausência de engajamento social! Engajamo-nos em muitas coisas, futebol é uma delas, mas sempre coisas frívolas, sem sentido social que nos induza à melhora. Precisamos mudar! As redes de mídia (impressa ou televisiva) com seu imenso poder de formar opinião e instruir as massas, não aproveitam suas possibilidades ilimitadas e, infelizmente, apenas visam o lucro! Esforçam-se e desdobram-se por reportagens que darão ibope, ou seja, em outras palavras, visam reportagens que darão dinheiro, puro e simplesmente dinheiro!
Enquanto nós e nossos meios de informação permanecem calados, nossos recursos naturais estão sendo explorados de forma desenfreada por marajás da devastação da natureza. Desmatam-se amplas áreas florestais em nosso solo pátrio a cada dia. Tais marajás descobriram na prática do desmatamento inconsequente (criando-se em suas fazendas pasto e plantações que gerem lucros!) uma verdadeira forma de plantar verdadeiras árvores de dinheiro. Colhem delas seus frutos em dólares ou euros! Ao povo? Nada! Cortam-se as árvores nativas de grande importância inclusive medicinal (algumas delas) e, após isso, ali mesmo, criam-se gado ou plantam-se os famosos eucaliptos - ou outras árvores não nativas, mas de interesse financeiro de uns poucos empresários desse mercado negro. O que fazemos nós?
Quem se cala, consente! Não é esse o dito popular? Ou talvez quem se cala é, pelo menos, condizente? Mas em que todo esse discurso importa? Afinal boa parte de nosso país está ansiosa simplesmente para saber a definição de alguma novela sem importância. Dão mais importância à realidade da ficção que à realidade em que vivem, ou melhor dizendo à ''realidade real''. Quais serão os rumos do futebol milionário de nosso país em mais esse ano? Todos estão muito preocupados com isso também.
Não deveria ser apenas esse nosso interesse: frivolidades! O triste é que, sobre a água e a realidade de nosso país no geral, nada mais será dito e ninguém quer saber. O Dia Mundial da Água será em 22 de março, quem sabe até lá haja mudanças em nossos interesses e atitudes enquanto cidadãos? Porém, e o carnaval? Está chegando novamente e todos estão ansiosos! E o futebol? Claro, o futebol! Já começou e não acabará tão cedo, ao contrário da água - estejamos nós atentos à “realidade real” ou não.
Não deveria ser apenas esse nosso interesse: frivolidades! O triste é que, sobre a água e a realidade de nosso país no geral, nada mais será dito e ninguém quer saber. O Dia Mundial da Água será em 22 de março, quem sabe até lá haja mudanças em nossos interesses e atitudes enquanto cidadãos? Porém, e o carnaval? Está chegando novamente e todos estão ansiosos! E o futebol? Claro, o futebol! Já começou e não acabará tão cedo, ao contrário da água - estejamos nós atentos à “realidade real” ou não.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

