domingo, 24 de julho de 2011

Lá fora

De fato o mundo lá fora mudou, ou fui eu que mudei e ainda não sei? Os passos meus são mais breves. Mais curtas são minhas palavras. Sonho apenas. Não realizo nada! Sinto-me um mar repleto de mágoas em mim...

Bobo feito o homem da corte, percebo todas as minhas súplicas vãs! Por excesso de esperanças em amores, desgostoso dos prazeres da vida alvejado por rajada de dores, sou de mim mesmo uma réplica corroída.

Parte de mim mantém-se frívola, e um total vazio me domina.
Transbordo em ausências de sentidos em meio às dúvidas em que pego-me pensando. Não há conclusões aonde piso em pensamento!

Sou apenas mais um nesse mar de pessoas! Todas elas sem paz, nem amor, sem outras pessoas.... Sem nada!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A paz que eu preciso



Certas vezes, paro e penso sobre o que tenho feito de mim. Percebo o quanto de tempo tenho jogado fora, na triste e irrelevante preocupação com o amanhã. Nesses momentos de preocupação (de fato: “pré-ocupado”), ocupo-me com pensamentos medrosos e perco a atenção ao presente devido às inúmeras inseguranças que permito em mim se perpetrarem. Erro nesses momentos! Aprendemos a temer aquilo que não conhecemos ainda por um excesso de inseguranças infundadas. Em que isso nos ajuda ou ajudará? Em que isso nos impulsiona ou impulsionará? Em nada, caro amigo. Percebo que o tempo que perco preocupando-me é justamente o tempo de paz que me falta no dia-a-dia.

Triste, sigo assim há anos. Quando não me preocupo com os problemas do dia de hoje e paro minha vida para eles, paro para as preocupações com o dia de amanhã. Sei que em nada me adianta agir assim, mas, assim ajo com toda a freqüência que infelizmente me acaba e consome o tão mal aproveitado tempo de minha existência.

Nos momentos de dor, de angústia, voltamo-nos para nós mesmos. Fazemos reflexões acerca do que de fato estamos errando em nossos momentos diários. A religião se nos retorna às mentes e coração. Fazemo-nos agir com mais calma respirando mais fundo em meio a suspiros tensos e tementes. Porém, passada a angústia, retornamos ao “auto-controle descontrolado” de nossos atos. Perdemo-nos novamente em meio a tantas preocupações desenfreadas. A ansiedade se nos apresenta como a carimbar nossos atos seguidamente errados. Brindamos com ela aos nossos mais temerosos conflitos internos. Agimos de forma equivocada e, errando, perpetuamo-nos numa vida de tristezas criadas e angústias cultivadas e enraizadas em nós. Triste pensar que não mais somos felizes e que assim o somos por causa de nós mesmos.

Precisamos viver mais profundamente e com maior intensidade o hoje. Precisamos dedicar devida atenção aos nossos afazeres diários, mas não aos do futuro. Nossos atos do presente cultivarão solo fértil para as atitudes vindouras necessárias ao amanhã. Por isso, findemos com as ações repetidas de pensar e tornar nosso íntimo inundado em temores e ansiedade. Pensemos nisso. Ajamos assim, enquanto ainda nos resta o presente para vivermos nele. Para o amanhã, deixemos apenas as atitudes do hoje e os pensamentos e sentimentos que nele criarmos, perpetuando em nós mesmos o melhor que conseguirmos agora. Nada para o amanhã além, talvez, dos sonhos que sonhamos. Nada além disso! Pensemos no hoje e só. Vivamos nele, pois ele nos basta e nisso sei que tenho razão.

Precisamos aprender mais com as crianças. Elas vivem intensamente o presente. Conseguem extrair das coisas a ingenuidade devida. Vivem o hoje, se entregam a ele - mesmo tendo um futuro muito mais longo que o nosso para lhes preocupar. Saibamos viver o hoje. Que consigamos voltar a ser como éramos enquanto crianças. Assim, viveremos felizes o agora e, com isso, o futuro ao lado delas.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O que está acontecendo?


O que nos faz parar? Estamos seguindo adiante, de olhos fechados. É o que me parece quando observo o comportamento de colegas jovens como eu que pouco pensam ou fazem sobre seu país, sobre sua realidade. Todos nós deveríamos estar nas ruas, ou nos bastidores do mundo, da vida mundana, lutando em favor dos ideais que nossos ancestrais lutaram e viram lutarem por eles: liberdade de expressão, liberdade de ir e vir, democracia...O que fazemos hoje? Por que nos fazemos caminhar de forma desordenada? Em nosso século, percebemos que muito foi conquistado por tantas vidas e almas que se perderam lutando. Conquistamos liberdades, logo, somos livres. Será?

A liberdade nos permite caminhar aos locais e viver de forma como não se achava possível em tempos de outrora – porém, ainda na memória. Jovens vão hoje às ruas para beber, cair, levantar...como diria a música. Acordam, vão para a academia não para estarem saudáveis, mas para estarem com corpos mantidos à medida dos estereótipos estabelecidos de beleza pela mídia. As mulheres controlam a alimentação, se entorpecem diante dos cosméticos, não para viverem mais e com maior qualidade em saúde, mas sim para estarem magras e jovens, obedecendo o mesmo sistema opressor de imposição de modelos de beleza, de cultura. Mas, mesmo que não caiba aqui a discussão: beleza é isso que temos hoje? Enfim, fica a pergunta, mas, continuemos. A beleza que queremos hoje é sustentável, ou seremos apenas velhinhos doentes da mesma forma, acamados ou pior, porém de pele lisa, enxuta, ainda com ares de jovialidade eterna?

Por diversos séculos, nossos ancestrais, para se informarem sobre os problemas de seu entorno, saiam às ruas e conversavam. Buscavam a informação. Não sabemos mais conversar, nem buscamos nada. Saíam todos às ruas em busca de respostas para as realidades que viviam. Discutiam-se nos bares assuntos, os mais diversos. Reuniam-se nas casas, mesmo de forma clandestina e correndo sérios riscos, para criarem-se pensamentos acerca das realidades vivenciadas nas épocas passadas. Criavam-se, nessas discussões em grupos, imensos avanços, grandes pensadores e, neles, grandes mártires e líderes que esquecemos hoje, mas ainda são exemplos de seres que deveríamos nos espelhar. Buscavam-se notícias pelo famoso e popular “boca-a-boca”. Conseguimos muitos avanços e muitos líderes nesse processo. Mas, o que fazemos hoje? Apenas sentamos em nossas poltronas, confortavelmente postados diante da TV ou da internet. Acessamos os jornais, as páginas de nosso interesse na rede internacional de computadores. Após isso, acreditamos que sabemos tudo sobre o que ocorre no mundo. Feito isso, desligamos nosso aparato tecnológico residencial e vamos dormir o sono dos vencedores. Será?



Quando acessamos uma notícia pela internet, quando assistimos ao telejornal, será que ali está manifesta a verdade sobre os fatos? Será que estamos mesmo aprendendo sobre as coisas do mundo, sentados em nossas confortáveis poltronas? Creio, honestamente, que não. Somos vítimas de um sistema que criamos e o fazemos perpetuar. Caso não achem que o criamos, pelo menos entenda-se que o fazemos permanecer assim. Uma vez que nos cremos sabedores das coisas do mundo, a partir daquilo o que recebemos pelas redes tecnológicas de informação, saímos para trabalhar cheios de críticas e opiniões pré-formadas que adquirimos sentados em nossa poltrona. Refletimos sobre as notícias? Sabemos ser formadores de nossas próprias opiniões? Quem aqui pára e se faz pensar sobre: “qual a relevância de sabermos sobre o casamento de alguém de alguma família real de algum país?”. A quem isso interessa ou em que isso nos interessa? Acho que todos se habituaram a ouvir coisas assim nos dias de hoje, achando que, de fato, isso é uma notícia de relevância. Ou melhor, isso é uma notícia, não uma fofoca. Ainda, não bastasse isso, discute-se sobre a roupa que o “famoso tal” estava usando na “festa tal”. Será que a roupa era adequada ou não? De novo, lhes pergunto: a quem isso interessa ou em que isso nos interessa? Coitados de nossos ouvidos tão habituados às futilidades.

Os que crêem deveriam pensar: “Meu Deus, o que estão fazendo com as notícias?”. Daí, quando para ser jornalista pensaram em retirar a necessidade de diploma, muitos criticaram, mas poucos entenderam o que aqui estamos conversando. Os piores vilões do jornalismo, foram os próprios “jornalistas” – claro, não podemos generalizar, pois restam ainda jornalistas de primeira qualidade e idoneidade.

Habituamo-nos a ver essa realidade. Pior ainda, não mais fazemos outra coisa que não seja assistir às notícias da TV, aos programas de televisão, sem, em momento algum, refletirmos sobre seus conteúdos. Somos como a criança que recebe diariamente seus alimentos amassados, bastando-lhe apenas engolir sua “papinha”. Recebemos diariamente nossa “papinha” de notícias. Nossa maneira de lidar com os acontecimentos tornou-se completamente passiva. Não mais refletimos. Não mais se discute, de forma crítica e reflexiva, política, filosofia, economia, saúde etc. Nos bares, um dos únicos locais onde ainda nos reunimos e conversamos, sóbrios ou não, discutimos apenas temas que giram entorno de: futebol, moda, sexo, bebidas e compras de mercadorias – inclusive pirateadas.

Todos nos habituamos aos modismos do mundo globalizado atual. Um deles, e talvez o pior, é a falta de reflexão. A quem interessa uma imensa massa de cidadãos nada reflexivos? A quem interessa que não pensemos em nada que não seja o trivial de nosso cotidiano? A quem interessa o desleixo em que nos encontramos com relação às nossas obrigações de cidadania? Cremos e dizemos em alto e bom som que política é coisa de “corruptos”. Nossa desculpa para redimir nossos erros de ignorantes em política é que: “não gosto de política”. Assim, tentamos passar a idéia de que políticos são todos corruptos, que não queremos saber deles pois eles assim o são e que não somos assim. Será que os que negam a política, bem como sua importância, são mesmo excelências em bons sentimentos, sendo tão corretos assim e honestos? Será que os “políticos” são tão diferentes da massa popular, são tão diferentes de nós ou são, de fato, parte dessa sociedade e agem como ela? Certa vez disseram algo assim: “o problema de não gostarem de política é que somos governados por quem gosta”. Concordo com quem o disse. É hora de aprendermos que não nos cabe culpar os que são eleitos, mas sim os que elegem, ou seja: nós, cidadãos!

A política está entremeada em todos os nossos atos. Mas, não apenas ela entremeia-se em nosso cotidiano. Não podemos nos esquecer da influência das grandes empresas e das redes de TV e mídia em geral. Essas últimas, talvez, igualmente ou mais influentes que os próprios políticos. Todos os dias, tal qual devotos do aparelho televisivo e dos computadores, vamos a esses artefatos tecnológicos prestar nossas reverências. Não acendemos velas a eles, mas, ao contrário, os reverenciando, apagamos nossa capacidade de reflexão para cultuar essa “nossa” tecnologia. Adquirimos os padrões de comportamento que nos jogam nos rostos, em nossas casas. Aprendemos que nos vestir igual a esse ou aquele famoso é o que devemos fazer. Para isso, temos que comprar...comprar...comprar. Aprendemos que é necessário cultuar o corpo como mero e unicamente instrumento para os prazeres do sexo. Aprendemos que nossos poderes de voto serão sempre inúteis, pois “sempre” haverá os políticos corruptos eleitos. Mas, por quem mesmo? Ops, culpa nossa de novo!

Será que estamos agindo corretamente? Aprendemos que não temos força suficiente, pois, todos os dias, testemunhamos apenas coisas ruins nos noticiários. Pensamos, por vezes, que não há seres humanos bons além dos mocinhos dos filmes e novelas. Mas, qual rede de mídia divulga boas ações de seres ou instituições? Isso não dá ibope, creio eu em minha insignificância. Apenas se divulgam as “boas ações” que alguns famosos fazem ou que essas próprias redes de TV fazem, como que prestando contas do dinheiro que recebem todos os anos nas campanhas televisivas de arrecadação de verbas para as “criancinhas sofridas”. Ora, as redes de mídia, na minha opinião, fariam bem muito maior caso incentivassem a educação e a intelectualidade, transmitindo cultura útil na TV e internet. Fazem-se campanhas “altruístas” nas redes de TV, conseguem-se doações dos cidadãos enganados pelo discurso piegas e, findado o processo, mostram-se uma meia dúzia de ações sociais para um amontoado imensamente e desproporcionalmente maior de dinheiro arrecadado. Será que gastam todo o dinheiro com boas ações ou somos, mais uma vez, enganados? Segue o raciocínio...!

Será que para ajudar as “criancinhas sofridas” precisamos terceirizar nossa boa ação de doar? Por que, nós mesmos, não vamos aos hospitais, instituições de nossas cidades e buscamos formas de sermos úteis e contribuir? Não! É mais fácil terceirizar responsabilidades, daí, doamos. Se nos provarem que nosso dinheiro é gasto de forma equivocada, diremos: “eu não sabia, apenas doei para ajudar”. Assim, sairemos com nossa reputação impune, como cidadãos valorosos que somos. Triste realidade a que nos propusemos a viver.
Habituamo-nos à mesmice das opiniões corriqueiras sobre assuntos de extrema relevância em nosso dia-a-dia. Não mais queremos refletir, apenas queremos baixar na internet as notícias, engolir o conteúdo jogado em nossas casas sobre o que ocorre no mundo, acreditando que todos os meios de mídia são idôneos e corretos para transmitir a realidade desse nosso mundo. Assim, após assistirmos a tudo isso, pacientemente caminhamos para nossas camas onde dormiremos o sono dos gigantes; merecido sono.

Pobres de nós e, principalmente, coitadas das futuras gerações, pois não sabemos orientar a nós mesmos sobre o caminho que estamos seguindo, imaginem se sabemos guiar nossos filhos? Mas, sempre ensinaremos a eles que as redes de TV nos ajudam muito, claro...! Riam nesse momento, pois vale a pena. Sempre deixaremos nossos filhos enfiados e jogados em frente à televisão assistindo o que bem entenderem, pois, quietos diante da tela, eles não nos perturbam. Apenas, como pais, trazemos crianças ao mundo, não mais nos fazemos responsáveis por elas a partir de então. Educar dá trabalho! Entupimos nossas crianças de produtos industrializados prontos, sabidamente deficientes no aspecto nutricional, mas isso é feito, pois as mães não mais têm tempo de sentarem às mesas junto dos seus filhos para lhes darem o peito e amamentar; os pais não mais sabem triturar alimentos e fazer “papinhas” que nos ensinaram as avós de outrora que tão bem criaram seus filhos de forma saudável e carinhosa. Não temos tempo para criar nossos filhos, pois estamos trabalhando demais para o crescimento de nossas contas bancárias, ops!, digo, para o crescimento de nosso país.

Compramos das redes de TV um modelo de vida que interessa a todos os grandes empresários e a elas mesmas. Compramos e estamos pagando caro. Estamos dando nossas vidas e as de nossos filhos nessa compra como que em prestações. Afinal, as redes de mídia estão aí, dia após dia a nos guiarem os atos e pensamento, deixando-nos na mesmice e quietude ignorante que nos habituamos a viver, pois nos é cômoda. Quem sabe, um dia, retornemos desse transe tecnológico que nos prendemos nele de forma passiva e tão intensamente. Assim, quem sabe, nossos filhos darão aos nossos netos mais que produtos da TV, mas, sim, produtos que lhes tragam o bem, intelectual e em nível de saúde, diferentemente do bem que conquistamos hoje aos grandes empresários desse mundo globalizado e pouco reflexivo que compramos, digo, criamos. Pena de nós. Rezemos por nossos filhos.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier