Assim que os abriu pela manhã à janela.
Tudo o que via despertava-lhe tristeza.
A paisagem já lhe não era mais bela.
Tirou daquela visão a amargura
Onde tudo antes era doce.
Tirou de si profunda tristeza,
Que não caberia numa tela,
Caso pintor ele fosse.
Onde estavam as coisas tão belas
Que antes se ouviam notícias?
Os sorrisos, as graças, as delícias?
Como as deixaram cair pelas tabelas?
Olhava as crianças, mas não as via.
Cheirava as flores, mas nada sentia.
Procurava as árvores, onde estavam?
Milhões de dúvidas se lhe chegavam,
Mas nenhuma luz lhe aparecia.
Onde tudo se escondeu?
Desfez-se como que por encanto,
No mais profundo breu,
A paz que buscou à janela,
Assim que o dia amanheceu.
Percebeu o tanto
E o quanto estava enganado
Sobre o mundo
- ''Pobre coitado!"
Nada mais existia
Além daquilo que via, de fato.
Tudo já fora muito mais
Que esse vislumbre ingrato
À janela daquele vazio e insólito quarto.
Correu. Sentou-se na praça.
Aguardou que tudo voltasse.
O mundo, seja lá onde ele foi:
- ''Quem dera tão logo regressasse!''.
Com ele viriam as crianças a subirem nas árvores.
Com ele viriam as flores e algum bom perfume que espalhasse.
Com ele viria a realidade que com o poeta se importasse.
- "Oh, mundo, volte!''.
Que apareçam, o mundo e os santos.
- ''O que há além dos limites do umbigo?'',
Pensou ele consigo, gritando aos prantos.
Olhar vazio, sentado num banco.
Até hoje, lá está o poeta.
Lápis em mãos, papel em branco,
A espinha ainda ereta.
Oh, paisagem à janela
Oh, mundo de coisas belas.
Lá está ele, pobre poeta.
À espera de lindos poemas,
Com alma livre e mente aberta.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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