quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Deitado sobre as espáduas


Sem paz e com os medos que tenho,
Impeço-me de seguir adiante.
Cansado, franzindo o cenho,
Tento ser forte, radiante.

Vendo a vida correr, pela janela,
Percebo quanto tempo passou.
Já fui massa de aquarela,
Hoje, sem cores é o que sou.

Escalas de cinza,
É o que pareço.
Pintar-me transparente,
Creio ser o que mereço.

Não sei alegrar pessoas.
Não aprendo a ser feliz.
Sigo choroso, cabisbaixo...
Jorro lágrimas, sou um chafariz.

Que triste fim é o que tracei,
Vivo e morto, num corpo esguio.
Perdi o calor humano que eu tinha...
Passo os dias transmitindo o frio 
E mais frio...

Olho e vejo-me distante
Do que fui e do que sonhei.
Tento viver, mas erro bastante,
Pois da vida, quase nada sei.

Misturei-me em cores,
Permaneci tela em branco.
Faltam a mim mais dores,
Ou basta-me um suspiro
Sincero e franco?

Deitado sobre as espáduas,
Vejo aves no horizonte,
Num vôo ao longe e alegre,
A solidão e eu: fronte a fronte.

Oh, Deus, aqui estou eu.
Sinto que me olhas,
Mas sou um filho teu que se perdeu.

Longo caminho, 
Árdua trajetória.
Dia após dia, em meio a prantos,
Aguardo o dia da sonhada vitória.

Hei de tê-lo, 
Hei de alcançá-lo.
Sigo rogando em apelo
Aos anjos que me jogaram
Nesse mar de loucos, em desespero.


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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