domingo, 2 de outubro de 2011

Mediterrâneo


O pasto de meu reino,
É árido como meu coração.
Em tantas lágrimas,
Perdidas no tempo,
Tornei-me em mim
Um corpo seco,
De alma vazia
A vagar em vão.
Triste, numa carruagem em fogo,
Continuo a transitar
Sem momentos de logro
Pela tortuosa estrada da vida,
Aguardando um pasto verdejante
Onde, deitado,
Ao sopro de um levante,
Eu possa ser notado
Em meio ao vazio,
Na paisagem distante,
Por um alguém...
Um qualquer.
Um transeunte...
Um iluminado errante...
Oh, presente
Que hoje me é dado,
Banhado pelo suor 
Caído ao chão, 
Desperdiçado.
Agora, aqui, 
Pego-me pensando
No tempo,
No que passou.
O que deu errado?
A criança que havia em mim
No ontem que era terra firme,
Morreu.!
O amanhã era simplesmente
Algo ''a ser conquistado''...
Mas chegou-se, e qual é o resultado?
Às conclusões sobre o tempo,
Que dia após dia esvaneceu,
Qual fim, enfim, foi dado?
Quisera eu ter um dia alcançado
O sucesso da pena ao vento:
Carregada sem esforços,
Sem sofrimento, que voa e voa,
Sem medos, sem destino traçado.
Perseguindo ideais 
Que nos dias de hoje
Perfazem mentes utópicas
De loucos acabrunhados,
Perdi-me entre meus sonhos
No duelo dos tempos:
Futuro e passado...
Contemporâneo,
Qual uma esfinge faraônica,
Sigo perdido e sem verdades...
Mediterrâneo? Dividido em mim,
Entre o amanhã e o ontem,
Diante das realidades
Com as quais me deparo.
No sem fim da vida,
Como sendo extinto e raro,
Sigo tal qual pedra caindo.
Refletindo e sem faro:
Será que um dia, qualquer que seja,
Encontrarei um anteparo
Com o qual, em choque,
Desfaça-me de imediato
Sem deixar pistas do local que fui
Após tanto ter sonhado
Enquanto vivo e acordado?

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


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