quinta-feira, 17 de maio de 2012

Calado e mudo

Por quantos discursos sem fim
Nossa felicidade se mantém?
As frases que passam ilesas,
Deixam-me a sensação de ninguém.

Éramos dois, mas somos nem um.
Os dias de ontem foram-se, um por um...
E nós aqui, a despeito de sentimentos,
Sem ao menos futuro algum.

As lágrimas beijam o solo,
Num triste momento, em desgosto.
Sem nem mesmo serem vistas,
Molham-nos a alma e o rosto...

Triste é o sabor da derrota,
Em que o orgulho, enfim, venceu.
A partida do amor no último trem
Foi o que por nós se deu...

Como uma perda desnecessária...
Ora, eu havia sido avisado, eu sei...,
Mas o aviso calou-se
E eu também me calei.

Calado e mudo,
Fico eu, aqui, agora,
Com a sombra triste da perda
Do amor que de mim foi-se embora.


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Vãos


Que me dizes de amor?
A paz chegou quando o dia raiou,
Foi-se por encanto em dor,
E o que dela aqui sobrou?

Nada de explícito e claro.
Tudo velado, sentimentos vãos.
A cada dia sua batalha,
E nós, como um solo sem grãos?

Onde estão os suspiros felizes?
Somos inférteis em sentimentos?
Havia um dia o amor que me dizes?
Tornou-se o passado simples momentos?

Quem de nós espreita o fim?
Será tudo isso um presságio
Dos medos e lágrimas
Que já hoje existem em mim?

Onde mais estaremos então?
Qual momento do amanhã
Será novamente feliz,
Abandonando a sensação de ''vão''?
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier






terça-feira, 15 de maio de 2012

Avulso

I

A saúde é a melhor forma de definir a mais apropriada maneira de 

aguardar a morte inevitável.

II

Muitas vezes a palavra que se cala é a forma mais rápida de evitar uma 

ignorância declarada


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Passos...




Um passo adiante, estou no abismo. 
Um passo a menos, estou a esmo.
Um dia em vão, mais um pouco de nada.
Um dia de luta, mais suores - por nada?
A cada dia, sua luta. 
A cada luta, seus méritos.
Em muitos méritos, uma farsa.
Onde há farsa, há alguém que lhe disfarça.

E assim, somos humanos...
Do presente? Uma ingrata realidade
Aos membros de nossa raça...
De altos e baixos,
De tudo e de nada...
É a realidade que nos ameaça?
Por nossa quietude falsa e ingrata,
Aguardamos pela mudança,
Esperando que o outro a faça.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sol de novos dias...


Enquanto o sol continuar a raiar a cada manhã para o mundo, ainda terei esperanças de que a Luz permanece acreditando em nós. Enquanto seres humanos, temos decepcionado os mais otimistas. O que temos feito de nós mesmos e por aqueles que deixamos ao mundo como nossos descendentes, os filhos de nosso hoje? Qual futuro nos espreita, ou melhor, qual futuro deixamos a partir de nós? Essa é tal questão que perturba-me nos tempos de agora. Como modificar uma nação? Como modificar os conceitos arbitrários que temos deixado de herança aos filhos de nossa geração? Qual amanhã temos plantado com tantas sementes de ódio, discórdia, violência, intolerância? Que a luz se faça em nós, para que, em breve, o sol seja apenas uma luz a mais além daquela que deveria brilhar a partir de nossos atos, mas temos falhado.

Em cada momento, mais crianças, novos filhos das nações, chegam ao nosso planeta. Como as temos recebido? Como temos preparado nossas casas e corações para a chegada deles? Não, não temos sido capazes de fazer por eles um futuro melhor, não estamos prontos para deixarmos descendentes, mas temos deixado filhos pelo mundo, perdidos aguardando o amanhã e a liberdade prometida por nós. Somos mentirosos para com nossos filhos e os filhos de nosso amanhã. Estamos estragando as esperanças existentes com as inúmeras faltas que temos cometido no nosso hoje. Que os ventos de mudança se nos cheguem logo e consigamos modificar a nós próprios. Assim sendo, terei orgulho de saber que passei pela Terra ou, caso nada se modifique, ficará apenas a lembrança à nossa geração de que o fracasso de fato é possível, e, para aqueles que nos seguirão no tempo como nossos descendentes, ficará apenas a tristeza dura e amarga de um futuro condenado, herdado sem terem culpa, pois culpados somos nós e nossos atos do hoje. Que tudo se modifique. A mim, cabe a mim mesmo, meus atos, minhas mudanças. Ao mundo, fiquem com minha torcida pelas modificações necessárias. Ainda seremos livres do ódio que plantamos e tudo o que surge dele. O amanhã nos dirá quão luminosos serão os raios do sol a cada manhã...a cada manhã.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


domingo, 6 de maio de 2012

Alumiação

Dia de paz, de corriqueiros momentos.
Dia simples e quieto,
Trajado em sutis sentimentos,
Tendo na alegria o único intento.

Na paz e harmonia
Que somam-se a mim,
Nesse dia que ao tic-tac,
Do relógio da parede fria,
Esvai-se como tudo,
Pois, como tudo, tem fim.

Vai-se o sol, findado o dia.
Chega-se a noite,
E a lua que alumia.

Luar ameno e seco,
Em noite enevoada e fria.
Deixe o sol retornar ao céu,
Deixe logo amanhecer outro dia...

Dia de paz, de corriqueiros momentos...
Simples e quieto.
Com um singelo desprendimento,
Despeço-me de ti.
Enquanto a vida,
Em mim se desfia,
Aguardo hesitante novo dia,
A raiar com alegria,
Após a noite que passou por mim.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


A girar

Não sou patético por acaso.
Na vida, vivemos
Apenas rolando dados.
Os passos, um de cada vez...
Ao passar da vida,
Dia a dia, mês a mês...
Em perdas e ganhos
A cada esquina,
Um real jogo de xadrez.
Não somos reis ou rainhas,
Mas sofremos reais "cheque-mates",
Vendo as alegrias
De um passado em que se tinha,
Vida longa e próspera,
Não essa realidade crua e fosca,
A nublar nossas esperanças nos seres,
E o amanhã: a perder sua força.
Sem morrer, a cada momento
Em cada segundo,
Vivemos assim.
Dia após dia,
Em perseguição sem fim,
Onde o real se mistura aos sonhos...
Mas os sonhos são cada vez menos reais...
Mais distantes e irrelevantes.
A cada dia, a cada segundo,
Permanecemos aqui,
E o mundo?
A girar,...a girar,...e nós com ele,
Sem forças, sem ânimo, sem parar...


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sábado, 5 de maio de 2012

O orvalho e o barro



Oh, chuva que em minh'alma cai,
Leve de mim esse martírio.
Permita-me erguer esse corpo que cai...
Jogado ao chão, pela dor que me dói.
Apague esse fogo que me corrói,
Esse mal que me destrói.
Faça-me ser feliz como em outrora,
Onde eu não sabia ser melhor,
Num passado distante,
Do eu que sou agora,
Mas era feliz, em pueris sonhos de sucesso.
Em tais tempos pregressos,
Onde progressos eram realidades.
Hoje, em sendo triste,
Percebo-me em futilidades,
De uma vida corriqueira,
Onde nada se tem das antigas verdades,
Das quais sofri por galgar,
Chorei ao tentar,
Sonhei conseguir,
Mas enfim, percebi não dar.




Não dá, Senhor. Não dá.
Pensei que o dia de hoje seria de sonhos,
Onde a chuva que me consome não ocorreria.
Hoje vejo que em prantos me calo,
Em choro me deito,
Em lágrimas espreito o dia que nasce,
E ao relento, no esquecimento,
Acorda o eu que dormiu sedento
Pelo dia de paz sonhado,
Na despedida do ontem, passado,
Onde tudo era motivo de alegria,
E nada trazia a vontade cega do esquecimento
Que hoje em mim se alumia,
A ofuscar-me novas vontades,
Novos sonhos
Ou a busca pela verdade.

Mas hei de ter novamente,
Os sonhos que se me calaram.
No amanhã,
Longínquo que seja,
Ou no hoje,
Presente que dura:
Far-me-ei feliz novamente
Como fui na doce candura
Da infância vivida na terra feliz
Onde os dias eram eternos
E as tristezas breves, sutis,
Como o orvalho, a gota mais pura,
Que cai ao chão tremendo a poeira,
Esta que lhe transforma em pequena parcela de barro,
Aquela simples e bela gota de orvalho...
De vida efêmera, mas verdadeira.
Antes límpida, faceira,
Ao chão, torna-se amostra de simples barro.

Não me deixe ser barro, Senhor,
Mas sim gota de orvalho.
Que eu pule da folha mais alta.
Quero voar em sonhos altos, Senhor.
Que eu caia da mais elevada altitude,
Mas que meu fim seja no mar da felicidade,
Pois hei de tê-la.
Este é meu sonho.
Este é meu pensamento.
Sim, Senhor, eu aguento...
Conte comigo, Senhor.
Eu aguento...

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier