Ouço, incerto, um som distante,
Mas sinto ser meu coração...
Percebo dele tal ruído,
Em lentos passos, sem emoção,
Caminhando a esmo, dia a dia,
Numa roda que gira em torno do breu.
Que de fato sucedeu-nos nesses dias
Que desde há tempos vivo eu?
Parece que a trajetória terrena é áspera,
Mais ainda que o chão que piso.
Das lágrimas do mundo correm rios,
E nós bebemos dessa água
Preenchendo nossos vazios,
Emocional, espiritual, humano...
Somos carentes apesar de tudo.
Seguimos como cegos, surdos,
Num mundo silencioso de amor,
Mundo esse de sentimentos mudos.
Não somos mais como deveríamos,
Nunca o fomos como Ele nos pediu.
E o que pediu o Mestre a nós?
Alguém o ouviu quando ele partiu?
Deixou-nos a palavra, o amor manifesto...
E nós, disso, herdamos Teu livro.
Mas o deixamos numa estante empoeirada,
Abandonado nesse mundo altivo.
Porém, a pompa, a nobreza,
Desse mundo materialista,
Não traduzem a beleza dos ensinamentos
Daquele homem de Deus, altruísta.
Amado Senhor do Céu, ore por nós,
Que, de desamparo e lágrimas,
Caminhamos falsamente felizes e sós.
Do suor medíocre do trabalhador sem fé,
Morremos a cada dia pela riqueza
E com os medos de São Tomé.
Precisamos de ti, Senhor, teu amparo.
Somos falhos demais para seguir assim.
De Ti, tanto amor e reais demonstrações.
De nós, tantos fracassos e totais decepções.
Ampara-nos, Mestre.
Ampara-nos hoje e sempre.
Em passos curtos, seguimos contigo, Senhor
Aguardando de nós o aprendizado sereno
Que Jesus nos deixou pelo amor.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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