A força do medo impede-nos o avanço necessário. O combatente cai, triste, perante os fracassos. A lágrima, também caída ao chão, denota a leveza do ser que por ali atirou-se ao solo: mais um homem caído. Em um mundo como o que habitamos, os sonhos parecem loucuras, as verdades claras e puras aparentam fantasias. Os medos, ah, os medos, eles comandam as almas que, combatendo diariamente suas lutas, ficam mais fracas para vencê-los conforme necessário seria. Vivemos em uma sociedade assustada. O que é sabidamente correto, é visto com desdém. O que é ético, é dito ineficaz ou tolo. O que é evoluído espiritualmente toma ares de irrelevância em meio a comentários jocosos. O que temos feito nesse cenário?
Trazemos em nós a centelha da alma eterna, do espírito sublime...a coisa única que nos permeia como espíritos que somos. Nossas almas! Feitas do todo que nos circunda, ficam perdidas em meio aos choques de sonhos desfeitos e traumas ocorridos nas batalhas diárias da vida terrena e suas tristezas. Fome. Miséria. Lágrimas por tantos motivos. Doenças. O que temos visto e, antes disso, o que temos feito do que vemos? Um cenário desolador é o que construímos aos nossos descendentes.
Há séculos e, por que não, milênios, os seres humanos norteiam suas vidas pelo dinheiro. Veem através da riqueza sua redenção. Isso é uma forma de sentirem-se seguros. Pensam que, uma vez ricos, compram-se coisas, compram-se todos os acessórios supérfluos para uma vida mundana, por si só, passageira, efêmera. Conquistam-se paraísos...Será? O material é efêmero. E, nisso, o que temos mudado?
Ainda cultuamos os bens, mas não o bem. Entre ''ajudar, espontaneamente, empobrecendo-se'' e ''enriquecer-se apesar da pobreza ao lado'', quantos optam pela segunda opção? A maioria? Se pensas como eu, percebes que ainda cultuamos os sentimentos que nos favorecem no egoísmo peculiar, mas não damos as mãos ao próximo caído. Guardamos mágoas com facilidade, mas não conseguimos nos alegrar com as tantas demonstrações de amor que vemos ao nosso redor, das pessoas que nos amam, mesmo sem que tenhamos dado motivos para sermos merecedores desse sentimento. Optamos por nada fazer pelos outros, se possível, e, antes de qualquer coisa: sermos ''felizes'', ou melhor, ''sermos ricos'' independente do que nos circunda. Seria essa uma felicidade verdadeira quando alcançada?
O que fazemos de nós, amigo? O que temos feito para nos perdermos tanto? Em sentimentos, em frases ditas em vão, criando-se mágoas, em atitudes impensadas, criando-se decepções? É hora de modificarmos nosso padrão de atitudes, de vibrações. O mundo precisa de novas energias, de novas esperanças. Um sorriso despretensioso e espontâneo é como um jato de água no triste incêndio do mundo. Ria, amigo; chore apenas se, de tanto rir, for necessário. Não deposite lágrimas ao solo. Guarde suas tristezas num canto qualquer da alma, pois as tristezas irão passar. É chegada a hora de o ser humano repensar suas atitudes. Entender que mais vale ajudar que ser ajudado.
Pensando de forma solidária, entenderemos que menos vale o dinheiro e mais valem o amor e amizades que deixamos pelo mundo. O dinheiro se perde com o tempo; amor e amizade são eternos - talvez pelo fato de, em muito, se confundirem. Ame, lute, corra atrás da paz que todos merecem. Mas que sua busca seja pelo coletivo, não pela sua própria cabeça. Não norteie sua vida pelo ouro do salário, mas, sim, pelo orgulho (mais valioso ainda) de ter passado uma vida lutando pelo bem, pelo amor, e vice-versa, rumo à felicidade que sonhamos - e teremos.
O que é eterno passa pelos bons sentimentos, o efêmero se consome com o tempo. Como nós, a riqueza morre, mas por nós o bem se perpetua - ou pode se perpetuar. Ajamos corretamente e tenhamos motivos para que, ao término de mais essa vida, possamos repousar a cabeça em solos mais evoluídos que aqueles nos quais pisávamos outrora.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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