Em definitivo: morrer ou morte são definições pejorativas para o término da existência. Não quero aqui impor paradigmas religiosos, apenas uma reflexão. Ao término da peça de teatro, a confraternização. A sensação do dever cumprido do artista diante dos aplausos e, enfim, do carinho do público. O mesmo ocorre aos filmes ou demais espetáculos, manifestações de arte em geral, onde todos, ao término, se emocionam, choram, riem, se abraçam felizes, emocionados, sorridentes ou chorosos, numa comovida admiração daquele momento. Ao encerramento das provas esportivas, o pódio, a comemoração, os aplausos dos expectadores. Ao final de uma viagem, a sensação doce e feliz da chegada ao lugar traçado, ileso, bem, são e salvo para cumprir a obrigação proposta para aquele destino. Ainda, concluindo, com o fim do dia de trabalho, o abrir da porta de casa é uma verdadeira benção, a entrada no lar uma graça. Daí, pensando nisso, pergunto-lhes? Após a morte do corpo, sendo a vida a obra prima de Deus, aquilo de mais belo que vemos ao apreciar o brilhantismo da natureza, a vida, ela acaba? Tudo termina assim? Um passe de mágica e a morte, o fim, o nada? Há alguns segundos vivo, passa-se um tempo, morto? Pensando-se dessa maneira, a saúde é, de fato, a forma mais bem sucedida de aguardar-se a morte inevitável - não posso discordar. Mas não paro apenas pensando nisso.
Não creio na morte, creio no viver. A vida está por toda parte, pois ela é o próprio caminho, correto? "Viver e não ter a vergonha de ser feliz"...Salve Gonzaguinha. Poeta e profeta, profetizava aquilo que já deveríamos saber em uma tão bela e admirada canção. Muito cantada, pouco compreendida. Sim, no viver, "cantar a beleza de ser um eterno aprendiz". E a vida passa diante de nossos olhos, mas apenas observamos o passar dos dias através do reflexo na lente que reveste o relógio que tanto nos controla, não através das lentes cristalinas de nossos olhos tão magníficos, um verdadeiro milagre de Deus ou, aos que insistem em descrer em algo superior, da evolução. Nos diria Guimarães Rosa: "viver é muito perigoso" e, continuando a citar esse mestre da nossa literatura: "porque aprender a viver é que é o viver mesmo". De fato, concordo! Somos eternos aprendizes na arte do viver.
Com isso, ainda estamos aprendendo a viver. Não fazemos nada a não ser buscar por toda a vida os louros das glórias materiais, o ouro, o dinheiro, a riqueza. Desperdiçamos saúde e serenidade necessárias ao caminho para conquistarmos o apogeu do status social. E, feito isso, nos vem a morte e nos retira tudo. De que nos valeria, portanto viver, lutar? Algo deve haver de reflexão sobre isso: ou aproveitamos melhor a vida, para, enfim, vivermos de forma plena, ou aceitamos que nada termina aqui e continuaremos com novas experiências após o morrer.
Enfim, eu, particularmente, creio em ambas as cogitações. Temos de viver, usufruir dessa arte magnífica do viver, do conviver, do aprender a ser e existir em sociedade, mas, não basta-nos isso. Precisamos saber desenvolver em nós a certeza da vida após o morrer, pois é lá, com certeza, a verdadeira existência, uma vez que a história narrada ou que leiamos é algo belo quando a ouvimos ou a lemos, mas gastamos mais tempo lembrando dos aprendizados e refletindo neles após a leitura que no próprio ato de ler. Dessa forma, mais vida há na morte (ou após ela) que tempo vivido em vida. Pensemos nisso. Ou, pelo menos, nisso penso eu!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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