quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Nunca é tarde...

(tirinha de ''Mafalda'', do cartunista argentino Quino)


Por vezes, pensar demais nos faz sofrer. Como é o mundo hoje? Adultos encaram a realidade a partir de seus afazeres corriqueiros. Dessa forma, para eles, viver é trabalhar, cumprir metas, alcançar resultados. Crianças, ao contrário, não têm contas a pagar. Melhor dizendo, não devem nada a ninguém...Não digo no sentido de dinheiro, de dívidas propriamente ditas, digo que as crianças podem viver plenamente. Sujam-se, correm pela rua, gritam, dão risadas das coisas que, para um adulto, são óbvias demais para motivar algum sorriso. Precisamos aprender mais com as crianças. Em cada momento da vida., somos colocados diante de reflexões a respeito do que temos feito de nós mesmos. E, a partir de nós, o que temos feito ao mundo, para o mundo? 

A cada novo dia, mais pessoas acordam, tomam seu café corriqueiro, habitual, lavam seus rostos e saem de suas casas em busca do ouro, do pão de cada dia. Voltam após o trabalho para casa cansados, cheios de dúvidas na cabeça se fizeram todas as suas obrigações do dia ou não. Tomam banho e jantam - não necessariamente nessa ordem - e vão dormir. No dia seguinte, a mesma rotina. Aos finais de semana, optam por ir aos bares e noites de festa para comemorarem bebendo. A bebida é um lubrificante social, na medida em que facilita todos a se tornarem mais facilmente sociáveis. Daí, tantos adeptos ao álcool em nossos dias. Nos finais de semana e noites de festa, então, as pessoas esquecem um pouco de sua rotina e conseguem ter um lampejo de felicidade - apesar de ficarem, mesmo que inconscientemente, somando todos os gastos com as bebidas e aperitivos para confirmar se estão ou não dentro do orçamento proposto...Mas é o mais próximo que tem-se visto do conceito de pessoas felizes nos dias de hoje. O álcool! 

Ao mesmo tempo em que uns bebem, outros fumam ou fazem ambos. O cigarro é o mais comum anti-depressivo inserido na sociedade, pois traz a sensação de calma, tranquilidade aos tragos, não precisa de receita médica e, mesmo que sem perceber, a pessoa sabe que está contribuindo para sua morte precoce - o que lhe pode, mesmo que não assuma, ser um alívio ou mesmo uma intenção velada. Seguir a vida nos moldes da sociedade em que nos enquadramos tem sido algo trágico. Mas ninguém quer pensar sobre sociedade. Temos novelas demais, jogos de futebol demais e outras futilidades demais para serem discutidas  e pensadas em seu lugar. As frivolidades cotidianas são uma benção, uma vez que, em discutindo e nos atendo nas conversas à elas, não incentivamos em nós mesmos a ''auto-condenação'' induzida quando refletimos sobre: ''pra que a gente está no mundo?''.

Como crianças que um dia fomos - e ainda mantendo algo delas em nós, deveríamos exercer mais a liberdade e a alegria de seguirmos os dias sem nos preocuparmos com as obrigações apenas. O ser humano luta por conquistar sua liberdade trancafiando-se em seus escritórios, em seus hospitais, em suas oficinas...enfim, em seus locais de trabalho, escravizando suas mentes e sentimentos na apologia diária e constante ao dinheiro. Somos escravos do dinheiro, do status social. Precisamos dele para termos alguma espécie de poder e notoriedade. Isso nos induz a uma auto-confiança necessária, porém falsa, a cada real gasto com alguma coisa nova e, sempre, desnecessária que compramos em nossos dias. Ter! Poder! Comprar! Um ciclo vicioso...Crianças apenas querem viver - apesar de, nos dias de hoje, estejamos criando nossas crianças à base do consumismo, tornando-as infelizes e materialistas desde o berço...mas isso é base para outro texto. Sigamos adiante..!

Precisamos educar a nós mesmos. Seguindo em frente, sem amarras do dinheiro, dos preconceitos, das falsas amizades que criamos como ''necessárias'' em nossa rotina. Seguir adiante é o que precisamos, mas não mais nos forçamos a isso. Não temos dado bons exemplos aos jovens e crianças de hoje, pois, de fato, não sabemos ''pra que estamos no mundo''. Apenas estamos cumprindo obrigações, nada mais. Depende de nós mudarmos nossos destinos e, com isso, o do mundo. Mas, afinal, daqui há pouco começará mais outra novela e nos perderemos novamente discutindo os rumos dos personagens da TV, esquecendo-nos de nós. Talvez isso mude...um dia...um dia...! Precisamos aprender a refletir mais sobre nós mesmos e sobre o mundo em nosso entorno. Quem sabe após desligarmos a TV? Seria um bom começo o dia de hoje. Sim! Nuca é tarde...Nunca é tarde...!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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