sábado, 13 de outubro de 2012

A saudosa bela flor



A fina flor, em lhe tendo à mão, já se rasga e, ao simples toque do vento, tua base enverga. No jardim, perdida, ninguém lhe enxerga, pois é apenas uma em meio às outras. Mas, perplexo, o jardineiro se rende aos encantos da flor ali esquecida. Pegando-lhe com os dedos em pinça, cuidadoso, sente-lhe a tênue beleza e a lisa textura da magnífica flor, esculpida na natureza. 

Em ingênua bruteza, com os dedos firmes, lhe fere uma pétala, vendo a mesma caindo suavemente ao chão. O jardineiro, arrependido, abaixa-se ao solo, como se redimindo, tentando desfazer teu ultraje àquela beleza que tinha em mãos e a viu indo. Tendo a flor despetalada entre os dedos, com a pétala caída na outra mão, percebeu que a beleza não era mais a mesma, embora tivesse a flor em punho como de antemão. O pobre jardineiro entristecido, trazia na garganta o coração aflito e abatido! E triste com a perda, deitou levemente a bela flor por sobre o solo da natureza, deixando-a secar-se à sombra de outras flores, no chão. 

Concluiu amargurado o jardineiro: por mais bela a flor lhe fosse, era tênue demais, o tempo inteiro, embora não houvesse concluído tal verdade primeiro. A bela flor, de tamanha singeleza, perdeu-se ao simples toque do outro ser da natureza, ele, o jardineiro. Desde então, seguindo adiante, passou a ser mais cauteloso com todas as flores quando via alguma à sua frente. Admirava-lhes a beleza sem almejar possuí-las nas mãos com firmeza, pois a vontade de tê-la, a saudosa bela flor, foi o que o fez perdê-la. Viu que podia tê-la em mãos ali todos os dias, não houvesse agido com tamanha bruteza.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Nenhum comentário:

Postar um comentário