segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Onde está você, Gandhi....?

(charge de Quino)

O amor é uma morte, pois é uma entrega de si. Doando-nos, perdemo-nos de nós mesmos, e, sem nós, morremos. Será esse mesmo o tema? Será essa mesma a conclusão? O amor de fato não existe ou isso é um erro, uma ilusão? Mas, concluí sofrendo que o amor causa chagas e feridas. Feridos e sangrando, não conseguimos pensar direito. Pode ser esse o enigma dos meus pensamentos atuais um tanto quanto desajustados para o senso comum...

Alguém ama sem doar-se? Alguém ama sem entrega? Amar alguém não seria vencer as próprias mazelas para ser alguém melhor para a pessoa amada? Amar não seria uma benção que fizesse valer a pena querer ser além do que o conforto nos impele ser? Superando a inércia do comportamento habitual? O que fazer quanto aos impasses do amor? O que?

A morte é uma solução à vida. A perda é uma solução à posse. As duas coisas são solução para a dor do amor. Os poetas mais desesperançados entreter-se-iam com devaneios de morte, mas quero falar de vida. Sem poesias, pois elas costumam ser melancólicas demais. Nada de sofrimentos por hoje - pelo menos.

Quem um dia amou? Sofreste, amigo? Se sim, pergunto novamente: alguém um dia amou sem sofrer? Não ouço vozes, talvez eles não existam. Talvez amar requeira dores, chagas, sofrimentos. Não amar implica estar só. Será? O que temos por amor? Casais? Não! Amor é mais que isso. Amar é extrair-se de si mesmo, doando-se a alguém, que poderia muito bem ser o mundo. Portanto, se sofremos de amor por alguém, pois não seria melhor amarmos o mundo? O mundo é inerte, sólido, não foge de nós nem nos desacata. Pode ser temperamental, causando catástrofes, mas quem nunca passou por momentos assim? Sim, vamos amar o mundo!

Não! Talvez não seja esse o caminho. O mundo não, mas amar as pessoas do mundo. Elas são muitas. Se são muitas, podemos então sofrer várias vezes...Não, seria pior. Mas, em sendo muitas, poderíamos ser amados várias vezes também. O que fazer? Amemos as pessoas do mundo. Valerá a pena? Não sei. Até hoje poucos o fizeram, mas todos eles morreram felizes e são por todos admirados. Será essa a solução? Quisera eu poder conversar algumas horas com Gandhi...

A dor é uma sensação, algo da sensibilidade orgânica, ou seria algo também de sentimento? Se o amor causa dor e ele é sentimento, talvez a dor também o seja. Mas não amo o martelo, porém sinto dor quando ele me acerta o dedo...Ora, são diferentes dores, mas haverá diferentes amores? Formas de amar, são várias ou ama-se apenas de um jeito? Puxa vida, onde está você, amigo Gandhi...

Estou confuso. Espero dormir. Quem sabe, em sonho, resolvo tal devaneio. Mas, acordado, várias vozes se somam em minha alma, causando pânico aos meus ouvidos. É hora de dormir...Mas como? Amo dormir, me faz bem...Ufa, talvez seja um caminho para entender algo de amor...Boa noite!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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