Por ora afasto-me de mim. Deixo abertas feridas que secam-se. O sangue que corre nas veias é o mesmo que molha-me os pés, diluíndo-se nas lágrimas caídas ao caminho que sigo. Em dia com meus sentimentos, enfim alcanço o sossego na partida. Despeço-me de mim. Afasto-me do sopro forte que levou-me a paz. Mas, como todo vento da natureza cessa, meu vento inimigo cessou. Tal vento que empurrou-me em abismo é o mesmo que agora seca-me as feridas. Gotas cinza da tintura que pintava meu mundo ficaram para trás. Em tons luminosos, começo nova arte em meus dias. Um alívio! Um destemido suspiro...
Recordo-me da infância, tenra idade. Valorosos momentos de paz. Servindo ao exército de crianças do mundo, posto por Deus para combater a infelicidade do planeta; eu servi muito bem aos meus colegas em exercício quando pude ser um deles. Lutei bravamente pela felicidade em meus dias e trago comigo a centelha da criança que existiu e que, novamente, em mim, se engrandece e se aviva. Enfim, sigo sorrindo com o vento a bater-me nas têmporas refrescando minha cabeça até então vazia e quente de tantos pensamentos fúteis. Preencho-a de boas coisas, bons pensamentos após deixar esvairem-se de mim as lembranças e maus momentos fixos na memória. Passo adiante as tristezas para quem as queira... Eu sigo alegre e calmo na paz que preciso.
Encontrei-me novamente em mim. Encontrei meu eu onde não mais achava nada, apenas sofrimentos vãos e desnecessários adquiridos na caminhada. Sigo adiante, pois assim fazem aqueles que querem de fato caminhar. A vida não existe para aqueles que prendem seus pés ao chão. ''Viver é muito perigoso'', mas o ''não viver'', para mim, não é mais opção cabível. Prefiro a vida! E viver é banhar-se nos mares calmos da alegria, bebendo o vinho da amizade, deixando lágrimas de dor secarem-se como as chagas que em mim ainda se fazem presentes, mas a secar...a secar.... Seguindo em frente com o sentimento meu de viver...Sempre viver! Brindando com a felicidade que reencontro em mim, pois dela me afastei, mas retomo com força e à força as rédeas de minha vida. Tornei-me novamente dono de mim! O cego que volta a enxergar. O morto que volta do último suspiro puxando novos ares ao seus pulmões trôpegos.
A jornada é longa, por isso devemos nos concentrar nela para nunca ficarmos perdidos nos passos indecisos que por ventura venhamos a dar. Para todo passo que nos distancie da caminhada desejada, deve existir força necessária e intensa para novos passos que nos retornem ao caminho traçado. Avante! É a vida que nos chega tocando-nos ao ombro e chamando-nos: ''vem?''. Faço em meus dias o caminho que desejo, amparado por Deus e em meus fracos pés, mas com a força de saber que o dia de amanhã será sempre o melhor de minha vida. Sempre!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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