O que era aquilo? Ela perguntou-se ao ver o céu estrelado. Tudo em volta se lhe fazia como encanto. Algum dia, em sua tenra infância, lembrava-se agora de ter ouvido seu pai mostrando-lhe todas aquelas estrelas. Uma a uma, tornaram o céu mais brilhante naquele dia. O dedo de seu pai apontado para elas, deitado sobre as espáduas no chão da varanda do apartamento no décimo andar daquele prédio: sede da sua infância. Como eram belas aquelas estrelas. O que eram, de fato, as estrelas? Naquela ocasião, ela mal sabia. Não havia completado seus seis anos ainda. Mas a recordação ficou gravada na memória.
Seu pai, ali, com dedo em riste a apontá-las. Seu pai amado que, enquanto as apontava, afagava os cabelos da sua linda criança amada deitado por sobre seus ombros. Sua filha, sua estrela. Corpo celestial que, em chegando à sua vida, deu-se-lhe com todas as luzes, com todos os brilhos, tornando aquele corpo sem brilho que era seu, que andava de terno pelas ruas a trabalho, em um corpo iluminado por ela: sua filha amada.
Eram duas da manhã, ou algo assim. Ela, já na faculdade, espreitava o céu estrelado após mais uma noite de estudos. Ele, seu pai, observava todo aquele belo céu e pedia a Deus que abençoasse sua estrela encarnada, sua filha. Eram, ali, o céu e as estrelas o elo que lhes unia novamente mesmo que distantes como estavam. Para muitos, aquela era simplesmente mais uma noite com estrelas no céu.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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