terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mudo



Momento eterno que nada durou!
Sim, um paradoxo vivido sem cores.
Percebo enfim que foi-se em dores,
Não me dei conta e o tempo passou.

Hoje, olho para trás com olhos molhados.
Sigo adiante, um tanto quanto revoltado,
Mas sem saber um norte. Estou parado
E todos ao redor seguem rumos apressados.

O que foi feito do sonho que era real?
O que se deu em mim, dando-me esse fim?
O que fiz de tudo sem perceber em mim
A perda das forças que faziam-me normal?

Sou sim, hoje, novo caminhante na estrada.
Trago na bagagem novas experiencias.
Na mente, tantas vivências e evidências
De que passei por tudo tendo a alma calada.

Ceguei-me. Calei-me. De tudo, nada ouvi.
Servi ao exército das tristezas da Terra.
Vejo em mim a morte devido à guerra
Dos sentimentos e dores passados que vivi.

Em mim, apaguei as dores perdendo as cores.
Tento seguir buscando novos horizontes,
Mas as dores são ágeis - surgem aos montes,
E sinto-me demente, um jardim sem flores.

Não morri, mas estou vivo nesse estado meu?
Não parei de respirar, mas o ar que respiro dói...
Sinto em meu peito certa dor que me corrói...
E o que farei do fim que em mim se deu?

Sigo mudo, mas o mundo não se cala.
Dentro de mim, procuro-me.
Fora de mim, destroem-me.
Sinto dores numa alma que não fala.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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