segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Quero ir embora


Quanto tempo a mim falta? 
Tal dúvida em muito importa;
Incerteza, dúvida que corta
Meu peito, onde o coração salta.

Passo por passo, caminho trôpego.
Sinto o ar que, de mim, esvai-se.
Na garganta, o músculo contrai-se,
E, de um engasgo, retira-me o fôlego.

Do mundo, pela porta entreaberta,
Vejo o mar, inquieto, a mover-se lá fora.
De mim, vejo a alma querendo ir-se embora,
Pois presa, não alcança a sonhada meta.

Do outro lado da vida, tantos planos.
Já na Terra, o destino se manifesta,
E, vivendo a cada dia, ninguém contesta:
A vida se (des)faz por enganos e desenganos.

Tantos planos que foram traçados
E em passos dados se perderam.
Tantas desilusões aconteceram,
Mas são todas casos passados.

Será que as deixei enterradas?
As lembranças, sim, do passado?
Creio que não. Vivo acabrunhado
Por mágoas, inúmeras, vivenciadas.

Oh, destino, corro de ti agora.
Percebo quão mau és para todos.
Somos pobres esperançosos e tolos.
De ti, destino, livre! Quero ir embora.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


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