Abri os jornais tentando alegrar meu dia. Foi em vão.
Nada além de lágrimas causei em mim.
Página após página, lá ficava eu: calado, perplexo, sem sentido.
De onde surgem tantas novidades ruins? Onde estão os corações?
As pessoas não mais amam, não mais compreendem do amor.
Não se ama nada além de violência, poder, dinheiro...ou seja:
O dinheiro está por toda parte...No poder, na violência...Na falta de amor?
De onde retiram a realidade dos jornais?
Do mundo além dos muros de minha casa?
Eu acreditava, fiel, que tudo seria diferente.
Ontem, sim, ontem mesmo lá estava eu esperançoso.
O que se deu em mim? Saia de mim, jornal maldito.
Quero rasgá-lo. Nem mesmo molhado por minhas lágrimas
Ele desiste de ferir-me o peito com suas atrocidades...
Saia, jornal, saia de mim. Saia daqui, ou saio eu.
De fato ele não saiu. Eu tive de sair dali.
Na rua, já fora dos muros de minha casa, morri.
Era eu apenas mais um na vida além dos muros.
Não havia identidades. Ninguém notava-me ali.
Nada fazia sentido além de caminhar a esmo.
Éramos todos como um presépio animado.
Bonecos passando uns pelos outros, sem vida.
O que se nos ocorreu, sociedade?
Estamos retratados nas páginas dos jornais,
Tudo circula ao redor das letras garrafais dizendo
Em meio aos anúncios dos classificados: ''vende-se''.
Não quero mais pertencer a isso.
Volto para casa. Queimo o jornal,
Mas o mundo lá fora ainda existe.
E eu? Talvez suceda-me outro dia amanhã.
Não esperem-me para nada.
Ficarei em casa, dentro dos muros.
Lá fora é muito perigoso e tudo está além de mim.
Quero apenas seguir...
A cada dia, uma página virada...
Páginas. Páginas viradas. É a vida!
Somos nós, letra a letra, escrevendo páginas.
Quem porá em mim meu ponto final?
Não quero mais páginas. Nem mais jornais.
Não quero mais a vida que eu leio, sinto, vivo...
Quero simplesmente que tudo mude logo...
Mas isso fica para páginas além de hoje,
Páginas além de mim...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


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