sábado, 5 de janeiro de 2013

Traços da dor



Eram palavras, sim, palavras.
Apenas elas, mas causaram danos.
As que foram ditas; as que foram caladas;
Todas formavam um só vulto negro na memória.
Traços de dor, apenas o que foram e são.
Dormiu doente, o pobre homem.
Por muitos anos, por diversas vezes,
Lá estava ele caído
Em sua cama, tal qual numa sarjeta!
Ele, na cama; ele caído. Tanto faz!
Tanto fez! Era ele apenas mais um homem ali.

Sem saber ser ele um ser diferente daquilo,
Manteve-se como por encanto na inércia.
Ele estava inerme, inerte, frio como cadáver.
O sangue ainda corria-lhe na circulação,
Mas o centro dela é o coração que, por sua vez,
Estava de mal a pior.
Uma doença corroeu sua alma.
Ele estava se recuperando.
Ele havia se dado conta.

Era mais um dia na vida dele
Repleto de lembranças a serem esquecidas.
Era apenas o que ele precisava,
Tornar-se livre dos traços da dor 
Que o pintavam como uma caricatura no mundo,
Não permitindo-o ser ele mesmo.
Retratar-se com traços reais, não caricatos.
Era um novo dia. Era um novo homem. 
Já era, enfim, um começo!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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