Tento deixar para o mundo algo do que penso, escrevendo. Agonias? Dores? Alegrias? Poemas? Crônicas? O que mais? Não! Não sei qual modelo me afaga mais em minha ânsia humana por paz. Catarse? Sim, um pouco. E me basta! Trazendo algo de ''Tabacaria'', de F. Pessoa, digo: espero que fique, ''da amargura do que nunca serei, a caligrafia rápida desses versos'', num pouco de mim. Eu, que ''não sou nada, não posso querer ser nada''. Mas, ''à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo''.
sábado, 8 de junho de 2013
O nada
A vida é curta demais para viver-se em pensamentos, mas os pensamentos são tantos, vários, que não consigo viver sem pensar. Em meio a isso: vivo, ou penso? Se vivo, tento não pensar. Se penso, acabo por não viver. Como é duro o caminho que se abre entre viver e simplesmente existir; estrada de ninguém, sem rumo aparente.
Quê sou eu senão um homem que pensa? Quê são meus pensamentos senão coisas que se vão? Quê são as coisas que se vão senão partes de mim que perdem-se? Sou eu nada mais que um ser tentando ser algo. Sou apenas eu, nada mais! O que sou, não importa-me dizê-lo, nem mesmo nisso pensar. Acordo para um novo dia, com novos pensamentos, porém, as ações e gestos meus são sempre os mesmos. Quisera eu ser outro ser, sendo algo além de mim, mas não o sou!
Penso, logo cesso! Cesso, logo definho. Definho, logo sou humano. Sou humano, logo serei parte da terra que piso. Há pouco tempo demais para gastar-se em devaneios, mas tenho toda a eternidade para viver sem pensar, sendo nada - se desde aqui já assim eu sou! Prefiro apenas existir, pensando, que viver, sem os devaneios contínuos que me definem - para mim mesmo!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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