Era tarde... Um dia qualquer... Pude vê-lo de longe, mas aproximei, apertei sua mãe... Mal o conhecia, mal ele queria me conhecer, quem sabe... Falaram-me um pouco dele, entretanto, em entrelinhas rasgadas às gotas de lágrimas. Era tão jovem, alegre... Seus pais o amavam tanto... Os amigos, o cercavam. As crianças fascinavam-se com seu jeito. Até os cães nunca latiam pra ele, apenas abanavam-lhe o rabo num gesto carinhoso involuntário e um tanto quanto desajeitado, diga-se de passagem. Todos o amavam.
Era tarde naquele dia, quando tudo começou: o cansaço, a falta de fôlego, a tosse... Ele já não estava bem há algum tempo, todos sabiam, porém tentavam desconsiderar... Febre? Não. Não havia tido! Até os germes o respeitavam e o amavam. Ele estava só, naquele quarto...
Por um instante, percebeu: estava acompanhado apenas de sua doença! Os pais haviam afastado-se às lágrimas e demoraram algum tempo para retornar, afinal, queriam refazer-se antes de adentrarem ao quarto... Parece que Deus exigia deles força, força essa que talvez seja o único castigo de quando tornamo-nos pais... Esconderam tudo, engolindo as lágrimas, afinal precisavam comportar-se como se nada estivesse prestes a acontecer...
Era tarde...muito tarde. O mundo parou por um instante quando deu-se o último suspiro, e, no quarto escuro, de chão molhado, foi-se embora para algum lugar aquele menino, lugar esse que nos espera, sem ser conhecido, entretanto. Parte mais uma alma pura que apenas queria tornar-se adulto, apenas isso, mas não pôde...! Era tarde, muito tarde...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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