Acordei um dia e percebi o quanto já era tarde. Não das horas do dia, daquele dia, mas tarde para corrigir todas as escolhas erradas da vida até ali vivida. Seria melhor começar uma nova. Isso sim era possível e o caminho mais fácil, claro. No dia de amanhã guardam-se as suas devidas expectativas... Depositei as minhas nele e na minha vontade de mudança. Voltei a dormir.
Acordei... Novo dia, porém o desânimo era o habitual. A desventura do viver consumia a mim mesmo como no dia anterior, o desânimo alastrava-se impedindo-me de erguer o corpo da cama em que eu ainda mantinha-me após despertar. Era outro dia de habitual tristeza já de início. Medicações? Já as usei, mas mantive-me assim, em queda. Álcool, sim, mais que o necessário, mais que meu habitual, mas a queda ainda também mantinha-se... Cigarros? Sim, até mesmo eles, tentando exalar, aos suspiros de fumaça, males internos corrosivos, mas não adiantou.... Era hora de tomar medidas drásticas.
Acordei, levantei-me. O sonho de ser grande um dia estava bem distante... Tornei-me adulto, isso era fato, mas há muito de metafísico no sonho de ser grande, muitas interpretações. Parei, dentre elas, na mais óbvia e tornei-me mero ser insignificante diante de todas as outras conquistas que poderia ter alcançado. É o poder das escolhas erradas que nos consome? É a fraqueza humana que guardo que destrói minhas esperanças? O que de fato sou eu e o que tenho de fazer?
Mais um dia iniciado. Mais uma rotina a ser vivida. Mais obrigações por serem esmiuçadas aos berros em corredores de prédios. Mais um dia da habitual vida maquinal que optamos viver. E, dentro dela, o que sobre de espaço reservado à felicidade? Consumiu-se em desventuras de más escolhas. Não vivemos, apenas cumprimos obrigações sociais, profissionais etc... Dias difíceis! Fazer o quê?
Se não venço nem a mim mesmo, como eu conseguiria mudar todo um esquema que todos habituaram-se a chamar de vida? Como eu, um mero ser filosófico e depressivo convenceria alguém do óbvio, mas óbvio esse que nunca é percebido pelas pessoas? Minhas esperanças mortas não reavivam-se mais... Não depende em nada de mim. Nem eu mesmo tenho podido contar comigo...
Se não venço nem a mim mesmo, como eu conseguiria mudar todo um esquema que todos habituaram-se a chamar de vida? Como eu, um mero ser filosófico e depressivo convenceria alguém do óbvio, mas óbvio esse que nunca é percebido pelas pessoas? Minhas esperanças mortas não reavivam-se mais... Não depende em nada de mim. Nem eu mesmo tenho podido contar comigo...
Todos sabiam, todos ouviram... Todos tiveram chances de ajudar, dar conselhos, dar amparo, dar novas esperanças na tentativa de recuperar aquele que ali, diante de todos, mantinha-se falsamente erguido. Porém, no fundo, todos sabiam: aos olhos atentos e interessados, aquele ser estava claramente caído! Era mais fácil fingir-se de desentendido. Ninguém, nessa vida medíocre de correr atrás do dinheiro tem tempo de parar para ouvir lamentações e transmitir felicidade e esperanças... Deixem as lágrimas caírem em silêncio dos olhos que quem as guarda... Diante disso, penso: o que fizeram? O que fizeram todos?
Conclui antes de levantar que a vida é uma flor repleta de espinhos e somos jardineiros solitários, de fato solitários... Depende muito mais de nós e há muito mais de espinhos que de flores em meio à história toda. Algo havia de ser feito e, fez-se: outra lágrima caiu, apenas isso....apenas isso...
Conclui antes de levantar que a vida é uma flor repleta de espinhos e somos jardineiros solitários, de fato solitários... Depende muito mais de nós e há muito mais de espinhos que de flores em meio à história toda. Algo havia de ser feito e, fez-se: outra lágrima caiu, apenas isso....apenas isso...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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