terça-feira, 5 de novembro de 2013

A pétala


Pétala que cai, permite-se ao vento! Entrega-se ao momento da queda sem exasperar-se. Leva consigo um resquício da flor que era. Morre no chão, como reles adubo, esquecida, servindo de fomento, mesmo que anônima, a outras flores... Pétala que cai não deixa a flor menos bela! O jardim ou o simples vaso perpetuam-se apesar da queda ocorrida da pétala que lhes falta... Seguem apesar da perda daquele pedaço da flor entregue ao fado de torna-se adubo! 

Ao ver-se caindo, a pétala sofre percebendo que ela, como tantas outras, passou, caiu e, todavia, os espinhos, todos eles, na flor permanecem incólumes como dores que não secam... A pétala ferida cai! Em seu lugar surgirá outra e, assim, estará aquela primeira pétala fadada ao esquecimento... Talvez numa velha e carcomida foto da flor ela apareça, mas de quê isso importa? Segue a pétala a cair e a sonhar que, ao tornar-se adubo, enfim, em paz, a tua memória desvaneça...

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




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